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ARTIGO
Segunda-feira, 01 de Junho de 2015, 21h:14

CESAR VANUCCI

Situações bem distintas

É preciso separar bem as coisas. Uma coisa é o escândalo objeto de investigação. Escândalo este enfrentado com apropriado rigor institucional, de forma a desestimular eventuais tentativas no sentido de aliviar as responsabilidades criminais dos autores das malfeitorias praticadas. Outra coisa é a Petrobras em si mesma. Estamos falando da história legendária de uma empresa com cintilante trajetória. Uma empresa que soube alcançar patamares de excelência dentro da importantíssima missão de que se acha investida de assegurar ao Brasil lugar realçante no mapa das potências petrolíferas. Apesar de todos os pesares, a estatal de energia – não se pode olvidar o fato – continua sendo a maior empresa do país. Uma das companhias mais importantes do mundo. Há que se deplorar, sim, tenha sido alvejada impiedosamente pela corrupção. Bandalheiras de todo tamanho articuladas por uma máfia voraz, composta de executivos de 27 empreiteiras, de 4 ex-diretores e de políticos em número ainda não totalmente definido. Todos devidamente identificados em processos conduzidos com firmeza nas instâncias competentes. Observando, agora, por um outro prisma a questão da Petrobras, dá para perceber, também, sinais promissores de sua tão almejada recuperação. A empresa vem retomando a caminhada inerente à sua natural vocação. Ancorada, obviamente, nas potencialidades que ostenta em razão de seus excelentes recursos técnicos e humanos e das alentadoras perspectivas de negócios nas áreas onde atua. “A empresa não vai parar!” Afiança, com fervorosa convicção, o presidente Aldemir Bendini. “Não dará marcha à ré. Estamos empenhados em passar a limpo os erros e a recomposição tem mostrado resultados” – acrescenta. Números e dados animadores dão suporte à fala do dirigente. A Petrobras foi a única do setor energético a acusar aumento de produção em 2014. Colocou em oferta mais 230 milhões de barris/dia de petróleo. Enquanto isso, suas concorrentes de maior porte registraram, em igual período, acentuados declínios na produção. A Exxonmobil, queda da ordem de 570 milhões de barris/dia; a British Petroleum, de 548 milhões de barris/dia; a Shell, de 546 milhões de barris/dia; a Chevron, de 50 milhões de barris/dia. Malgrado todos os percalços conhecidos, acaba de conquistar, graças às tecnologias de ponta desenvolvidas pelo seu abalizado corpo técnico, o “OTC Award 2015”, o mais importante prêmio da indústria mundial de óleo e gás. Empréstimos recentes, como o que foi anunciado por um banco chinês, o maior do mundo, (3 bilhões e 500 milhões de dólares, na maior operação do gênero já ocorrida na América Latina), parecem haver preenchido satisfatoriamente as necessidades do financiamento previsto para o exercício em curso. De outro lado, os aportes de recursos milionários derivados de parcerias – com os chineses novamente em cena –, robusteceram consideravelmente as condições operacionais da organização no esforço empreendido de recompor-se administrativamente. O ritmo atual de produção, pelo que tudo indica, vai permitir sejam colhidos a tempo e a hora os frutos dos enormes investimentos e das fabulosas descobertas de jazidas na chamada “província do pré-sal” entre 2006 e 2014. No ver de qualificados especialistas, a empresa terá que seguir inabalável na sua estratégia de produção, resistindo às pressões presentemente feitas visando a alteração do modelo vigente de exploração de petróleo e gás. A sociedade brasileira precisa, nessa linha de raciocínio, manter ligados seus aparelhos de percepção, atenta à advertência que faz, a propósito dessas fortes pressões, entre outros, o economista Júlio Miragaya, dirigente do Conselho Federal de Economia. Diz ele: “Desde que o Brasil adotou o regime de partilha, as corporações do setor, de forma indireta, mediante analistas do setor financeiro, agências de risco e aliados locais, fecharam o cerco à Petrobras. O objetivo imediato é torpedear o modelo de partilha e, no médio prazo, desidratar a Petrobras, visando posterior privatização. Algo parecido com o que estão fazendo no México com a Pemex”. Isso aí. Como dito no começo do comentário, precisamos separar bem as coisas. Afigura-se claro nesta hora que a indignação e o desconforto suscitados pelas maracutaias denunciadas não podem se aprestar, ao contrário do desejo de alguns setores despojados de sentimento nacional e consciência cívica, a tumultuar a execução plena do projeto de afirmação da soberania nacional inserido inarredavelmente nos destinos da Petrobras. * CESAR VANUCCI é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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