ARTIGO
Sábado, 07 de Fevereiro de 2009, 13h:50
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MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA
Sexo e Poder
Um episódio menor (porque baixo em todos os sentidos) ganhou as manchetes dos jornais locais e recebeu amplo destaque nos muitos sites e blogs de Cuiabá, ensejando também porém, em menor escala alguma repercussão em outros sítios da Internet fora do circuito mato-grossense. Trata-se da recente prisão do vereador Ralf Leite, do minúsculo PRTB, detido em flagrante, na madrugada de sexta-feira (6), por uma guarnição da PM, em uma obscura área de baixo meretrício de Várzea Grande, popularmente conhecida como Zero Quilometro. Sua detenção ocorreu quando ele se fazia acompanhar por um travesti, menor de idade, e com o qual, supostamente, mantinha relações sexuais dentro do seu próprio veículo. A trilogia sexo, dinheiro e poder é um componente que alimenta a trama de muitos romances, e desperta ainda o interesse da mídia. Por assim dizer, rende manchetes e não só isso ocorre nos órgãos tidos como sensacionalistas. Existem aqueles outros veículos de comunicação que, costumeiramente, não praticam esse gênero de Imprensa, mas, vez por outra, na falta de pauta melhor, enveredam por esse tipo de matéria escabrosa. Não resta dúvida: é um assunto que acende a curiosidade mórbida de parcelas expressivas do público, mexendo com o lado pervertido de muitas pessoas que, quando não ficam simplesmente curiosas, se assanham mesmo com esse tipo de notícia. Isso acontece, queiram ou não os moralistas de plantão. Faz parte da realidade e daquilo que se convencionou chamar de mundo cão, rasteiro, em cujo perímetro se enquadra os Zero Quilometro da vida e o episódio em que nele se envolveu o jovem vereador cuiabano. Não sei, por outro lado, se Ralf Leite preenche os requisitos clássicos para permanecer em evidência, por muito tempo, como principal protagonista desse tipo de escândalo. Repetindo, em escala menor e mais tosca, outros casos bem mais famosos e, alguns desses episódios sexuais, ai sim, envolvendo gente famosa e com muito poder. Exemplos não faltam nessa seara. Poder político e sexo, agregados ou não ao poder financeiro, aqui e acolá, volta e meia estão se encontrando. Quer seja tendo como palco o desconfortável - porque inapropriado para o ato sexual - interior de veículos, luxuosas suítes e alcovas ou macios sofás de gabinetes. Portanto, o garotão Ralf Leite, sedento de emoções fortes, não é um caso isolado na dita vida pública. A inexperiência, a juventude, jogam a seu favor e ele merece, quando nada, a compreensão pelo momento de fraqueza que teve. Se até Bill Clinton, então presidente da mais poderosa nação do planeta, e a sua secretária Mônica Lewinsky (lembram-se do caso?) entre outros menos votados, já partiram para o crime... Nesse contexto, aliás, Ralf fica menor ainda, pois seu poder é proporcional ao cargo que exerce, o de vereador e de uma ainda pequena Capital, e não sei se ele tem, ou não, muito dinheiro e nem estou interessado nesse aspecto. Meu foco é outro. Andy Warhol (ou terá sido o controvertido escritor e romancista Norman Mailler, quem disse isso?), figura conhecida do chamado jet-set internacional, já falou que todo mundo tem o seu direito à fama, ainda que seja por apenas um minuto. E Ralf, por vias transversas, ficou repentinamente famoso, ainda que em âmbito paroquial e provinciano. Torço, sinceramente, para que esse tipo de evidência seja mais passageiro ainda na trajetória do nobre vereador e ele, através de ações políticas e legislativas mais conseqüentes (as quais, por sinal, ainda ele não demonstrou vontade de realizar, haja vista o seu desempenho pífio, marcadamente fisiológico, nesses seus primeiros dias de mandato como vereador) possa se recuperar do triste episódio que tumultuou a sua vida e, por certo, de seus familiares. * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é diretor do site e jornal Página Única