Estamos às vésperas da festa mais esperada pelo grande maioria dos brasileiros: o carnaval, Como sempre, neste período o governo, através do Ministério da Saúde, reforça a campanha de prevenção à Aids para alertar os foliões sobre os perigos das relações sexuais sem o uso de preservativo. Além da campanha na tevê e jornais com o slogan Na empolgação pode rolar de tudo. Só não rola sem camisinha. Tenha sempre a sua, que este ano tem como alvo principal os jovens gays de 15 a 24 anos, porque de 1998 a 2010, o percentual de casos na população homossexual dessa faixa etária subiu 10,1%, o Ministério da Saúde também vai distribuir preservativos. No entanto, nem bem a campanha começou e setores mais conservadores da sociedade já vem se manifestando contra a iniciativa, alegando que o material publicitário e a distribuição de preservativos são um incentivo à promiscuidade, e que o uso da camisinha não é um método 100% seguro para se evitar a contaminação pelo HIV. De fato, o uso da camisinha não garante 100% de prevenção ao vírus da Aids, afinal sempre existe a possibilidade de que ela possa romper no momento da relação, principalmente pela falta de informação sobre seu manuseio ou pela baixa qualidade do material utilizado. Mas por hora é a única forma de se evitar a propagação da doença nas relações sexuais. A campanha não induz à promiscuidade, como entendem os mais conservadores. Na verdade, ela nada mais mostra do que a realidade nessa época de carnaval, quando as pessoas parecem estar mais predispostas a curtir com intensidade a alegria da festa de Momo. Isso, porém, não significa que elas vão agir de forma promíscua, e mais, o uso do preservativo é antes de mais nada um sinal de respeito a si mesmo e ao outro. Mas para que tenhamos uma redução acentuada dos casos de Aids é necessário que se façam campanhas educativas nas escolas, de forma que os jovens aprendam a viver de forma mais saudável, e que tenham cada vez mais respeito pelo seu corpo e pelo seu próximo. Quando se age com responsabilidade, não se corre riscos desnecessários. Enquanto isso não acontece, campanhas como a do Ministério da Saúde continuam sendo válidas, pois é preciso deixar a hipocrisia de lado e enfrentar a realidade de frente. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião
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