ARTIGO
Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2009, 22h:10
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WILSON SANTANA DA CUNHA
Rupturas e acomodações com vistas a 2010
Como participante da política desde os 16 anos não podia votar, mas já militava politicamente na época da efervescência política que deu origem às Diretas Já (1984), me orgulho de estar participando desse e de outros momentos políticos pelos quais passamos. Bom, a minha questão de análise, se me permitem, é sobre o transcorrer político desta semana, que sem sombra de duvidas, foi uma semana de muita agitação no meio político, com a retirada irreversível da pré-candidatura ao Governo do Estado de Luiz Pagot, chefe do DNIT. A retirada de candidatura de Pagot, a meu ver, forca uma re-acomodação política que mexe com algumas perspectivas pessoais no Estado, o que implica dizer que se para alguns é um momento de acomodação, para outros é o momento de ver a ruptura. Senão vejamos: É sabido que o Governador Blairo Maggi é candidatíssimo a uma das vagas ao senado federal, e para isso conta com o apoio e a total simpatia do Presidente Lula. Todo esforço político do governador para com a máquina pública, e as obras até então feitas, a despeito de algumas ressalvas, segundo as últimas pesquisas, fazem de Blairo um candidato ao senado praticamente imbatível. Logo, das duas vagas pleiteadas para o senado, uma, praticamente já tem dono, resta outra vaga e as composições para o governo. A retirada da candidatura de Pagot deixa o PR praticamente sem um candidato de expressão para postular a candidatura ao Governo, até porque, o mais visível, que é o deputado Sérgio Ricardo, não tem maioria no próprio partido, como ficou provado na indicação de Mauro Mendes como candidato à Prefeitura de Cuiabá, que foi uma verdadeira patrola às suas aspirações políticas, de modo que provavelmente irá pleitear a recondução para a Assembléia Legislativa. Nomes como Sachetti e Mendes, derrotados em suas aspirações municipais, certamente não ecoam no eleitorado mato-grossense. O cenário atual vislumbra a formação de dois blocos distintos para as eleições de 2010, de um lado o PSDB e o DEM, com uma provável candidatura do Senador Jaime Campos ou do Prefeito Wilson Santos, que sem dúvida foi a figura política que mais ganhou nas eleições municipais. Por outro lado temos uma possível formação do bloco formado pelo PMDB, PT, PR, que no cenário atual está desenhando para uma possível candidatura do Vice-Governador Silval Barbosa. Se considerarmos nomes fortes neste segundo bloco para o governo, além de Pagot, que já retirou a sua candidatura, temos a Senadora Serys e Silval Barbosa. Mas a dicotomia está em planos políticos, já que é muito provável que o PT faça parte deste bloco com uma provável candidatura a vice de Silval Barbosa e que Serys tente a recondução ao senado. A possível candidatura do Deputado José Riva para o senado, como ele próprio está costurando, passa por dois percalços: primeiro a pequena expressão política do PP no Estado, em que as figuras políticas de maior expressão são ele próprio, o Deputado Eliene e o Secretário Chico Daltro, sem um cabedal de apoio que é necessário para uma candidatura de tal envergadura. Já o Deputado Federal Pedro Henry, devido aos escândalos e a cassação do seu irmão na eleição para Prefeito de Cáceres, perdeu em muito o seu prestígio e a sua força política. Outro problema para Riva se chama Serys, que vem com o apoio do Presidente Lula, e certamente, com a dobradinha Serys e Blairo, terá todo o apoio de Lula e da cúpula palaciana. Certamente que um partido chamativo para futuras acomodações seja o PMDB, que saiu forte na eleição passada. É claro que, atualmente, dentro de seus quadros, o PMDB conta com nomes de expressão para os cargos eletivos, mas não é demais esperar o namoro de alguns nomes com esta sigla, que certamente irá ocorrer. Quanto aos outros partidos, provavelmente oscilarão entre o primeiro bloco e o segundo. No entanto, a expressividade política será, certamente, na formação de dois blocos. Mas como a política é mais dinâmica do que o jogo de xadrez, e como sou também um entusiasta e jogador de xadrez, vamos esperar para ver quais os Peões, Cavalos e Damas que serão sacrificados para que somente um Rei ganhe a partida, no caso o Governo de Mato Grosso. É esperar pra ver. * WILSON SANTANA DA CUNHA é professor