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ARTIGO
Domingo, 23 de Agosto de 2009, 01h:20

ILSON SANCHES

Rotatória da discórdia

E continuamos e nos enervar no trânsito como se este não fosse uma variável diária para nós. A “rotatória da discórdia”, a do Despraiado ou do Motel da Bundinha, continua estreitando a vida dos motoristas, provocando discórdia e xingamento, atitudes anti-cidadãs e o que mais quisermos adjetivar para referi-la. O fato, no entanto, é que ouvimos desplantes de autoridades do trânsito nas entrevistas afirmando, quase num tom de nos mandar o recado: “recebemos reclamação de que a rotatória estava estreita e fizemos o que pediram, numa ação pontual”. Esta resposta é digna de ser inserida nos anais da ignorância (e, sim anais no plural mesmo) porque foi uma resposta de nos dizer que é o que merecemos. Interpretamos como um descaso inconcebível, por soar que não vai mudar nada, que atendeu um pedido de um “alguém” absolutamente indefinido, que não precisou consultar ninguém, pois tem a caneta para decidir, mesma que seja em detrimento da população que passa por ali, todos os dias e várias vezes, sofrendo um congestionamento infame, com absurdo de quebra-molas, e sem passarela adequada para os pedestres, sacrificando os agentes de trânsito, enfim, uma digna resposta de um desconhecedor da causa. Aliás, ratificado pelo Alcaide, pois este afirmou que a suposta autoridade está “aprendendo” (fazendo o povo sofrer, como cobaia) e praticando ações pontuais que atendem a população (sic!). Na cabeça de quem? Cuiabá é a cidade da pré-copa e nem por sua extensão, muito menos pelo papel de capital do Centro-Oeste, poderia ser tratada desta forma. Poderia sim, ser a rotatória da América Latina, por meio de um modal de integração o que até hoje não foi assim concebida. Como resultado, estaremos passando ao largo da História por ser omisso nas ações de integração latino-americana. Nunca poderíamos ter uma política pública como a atual, de atuação em pontos isolados, sem uma visão de conjunto urbano. O sistema urbano é um complexo de movimentos que deve obedecer a uma lógica de fluxos, sem pontos de estrangulamentos como o caso da rotatória, que acaba por refletir em outros subsistemas. E isto já está acontecendo. Pois os motoristas estão buscando novas alternativas de tráfego, superlotando outras vias que, absolutamente, não foram preparadas para receber tráfego intenso. E isto vai refletir nas demandas de melhorias urbanas, como uma forte pressão no Poder Público Municipal que terá de consertar mais ruas, inclusive que não estão em sua programação. Por estas e outras razões o planejamento urbano deve ser sistêmico, com uma visão de conjunto interligado, sobretudo a um sistema de transporte obedecendo a um Plano Setorial bem concebido e com atuação global, e não apenas isolada ou pontual que não obedeça a um Plano macro-urbano. Muita coisa precisa ser mudada, sobretudo o autoritarismo supostamente técnico, inclusive o comando das atuais ações pontuais que devem estar integradas. Temos que ter cuidado com as palavras e com as ações, para avaliar o seu alcance que poderá comprometer a Capital da Copa. * ILSON SANCHES é advogado em MT e Professor Universitário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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