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ARTIGO
Segunda-feira, 25 de Março de 2013, 20h:46

CESAR VANUCCI

Rir, um santo remédio

Cientistas de Oxford acabam de reinventar a roda. O riso – asseveram eles, botando a maior panca doutoral – faz muito bem à saúde. Chegaram a tal conclusão depois de prolongadas e consistentes pesquisas. Constataram que a gargalhada libera endorfina. Proporciona supremo prazer, amplia a resistência à dor e fortalece o sistema imunológico. E por aí vai... A “descoberta” comprova, outra vez mais, que a sabedoria popular costuma se antecipar, num bocado de situações às provas da ciência. Casos típicos em que, reportando-nos à saborosa linguagem das ruas, a gente surpreende a técnica humana toda compenetrada na tarefa de levar o milho quando a intuição humana já lá vem voltando com o fubá. Afianço, com conhecimento de causa, que os respeitados peagadês da afamada instituição acadêmica do Reino Unido teriam como enriquecer substancialmente sua interessante pesquisa caso se lhes tivesse chegado às mãos, no curso das investigações, um livro precioso, de formato delgado, refulgente na forma, cativante pelo colorido humano extravasado de suas quase cem páginas. O tal livro é de autoria de alguém informado de um bocado de coisas relativas à arte da vida. Humanista na acepção completa do termo, agrega ainda a esse tantão de dons a invejável condição de haver se tornado personagem legendário na história do movimento leonístico. Refiro-me, com prazer, senhoras e senhores, ao médico, acadêmico, jornalista, historiador e advogado Áureo Rodrigues. O livro “Rir e sorrir – para viver mais e melhor”, de sua lavra, alinha importantes recomendações terapêuticas, informações de grande utilidade prática. Os capítulos falam do significado do sorriso na convivência humana, das conexões saudáveis do sorriso com o trabalho, relatam lances históricos concernentes ao riso, demonstram a extrema eficácia da terapia do riso. O lirismo aflora no texto em citações poéticas, na apresentação do retrato-falado de um artista gigantesco do sorriso, no caso Charlie Chaplin. O riso e o sorriso nas artes e na ciência são também projetados de maneira didática e com o intuito de valorização humana, dentro da ideia motriz de que “o sorriso representa o próprio encanto de viver.” Áureo relaciona no livro exemplos de risos positivos e negativos, ensina técnicas que, estimulando o sorriso e o riso, afugentam a depressão e o baixo astral. O trecho em que se ocupa dos risos positivos vale a pena ser reproduzido. Os risos positivos provocam bons sentimentos e reações que nos fazem felizes, em alto astral e otimistas, garante o autor. O riso aberto – acentua ele – é próprio de pessoas extrovertidas, amigas e leais. É claramente exteriorizado, franco. O riso verdadeiro é demorado e simétrico. Provoca rugas nas pálpebras, se instala gradualmente e vai lentamente despertando sinceridade e confiança. O riso constante é próprio da pessoa que está sempre contente e otimista, demonstrando força de caráter. O riso contagiante ou vibrante é próprio de pessoa otimista. Desperta nos outros a vontade de rir também. No ensaio sobre o riso e o sorriso, Áureo explica que o primeiro é extroversão e o segundo, desvendando delicadamente o interior de quem sorri, é introversão. O riso – acrescenta – é algo que irrompe num estrondo e vai retumbando como o trovão da montanha, num eco que, no entanto, não chega ao infinito. Já o sorriso, anota, é silencioso como a chuva mansa que cai e fertiliza a terra, como a brisa suave que acaricia e refresca o rosto. Resumindo toda a história: “O riso é um santo remédio.” * CESAR VANUCCI é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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