127 (cento e vinte e sete) santinhos em minha caixa de correio. 182 (cento e oitenta e duas) placas publicitárias de candidatos no trajeto entre minha casa e meu trabalho. Esse cenário me fez parar e refletir, aliás, devemos TODOS refletir, acerca do por que dessa corrida maluca em busca de um Cargo político. Para desvendarmos esse mistério devemos partir, em tese, da conceituação desse objeto cobiçado por todos os candidatos. Os cargos de Presidente da República, de Senador da República, de Governador de Estado e de Deputado existem no Brasil desde quando Este se tornou República Presidencialista, forma de governo e sistema de governo, respectivamente. Sabemos também que há tempos, partindo de Platão e outros filósofos políticos, esses cargos foram criados para serem ocupados por homens dispostos a trabalhar em prol da sociedade, do povo, enfim, do bem comum. Foram criados para que um homem possa representar muitos, lutar por interesses coletivos, devendo para isso, se preciso for, deixar o seu próprio bem estar para o alcance desses frutos. Esses cargos existem, e foram conquistados a partir de muita luta, suor e sangue em tempos de outrora, onde a democracia ainda não pairava sobre nossas mentes. Conceituado, de forma sintética, o Cargo Político, chego agora no auge de nossa reflexão. Devemos refletir, assim como venho fazendo, acerca da seguinte questão: será que os candidatos a cargos políticos que nos remetem tantos santinhos, que nos subtraem o direito de apreciar o trajeto entre nossa casa e o nosso trabalho com suas placas publicitárias, será que eles preenchem os requisitos necessários para ocupar um Cargo de tamanha importância? Será que esses candidatos estão dispostos a entregar parte de sua vida em prol do bem comum, do povo? A reflexão deve ser feita antes de irmos as urnas, e mais longe, será que esses candidatos possuem uma trajetória de vida com essas características citadas acima, de dispor de parte de sua vida, de sair de sua zona de conforto para se dedicar a causas nobres em prol de pessoas que eles ao menos conhecem? Será que possuem um currículo de ações mesmo fora do período eleitoral? Que cobiça é essa por um Cargo tão pesado e que demanda tamanha disposição? A reflexão deve ser realizada nesse sentido, pois, na minha modesta opinião, se há um candidato que se encaixa nesse perfil, do homem correto que realiza essas ações, Este não necessita de placas nem de santinhos para que o povo o conheça. Este homem já é conhecido por ações feitas no decorrer de sua vida. Será que a nobre Zilda Arns, como exemplo, necessitaria dessas publicidades e apelações feitas no horário político gratuito? Com certeza não, pois dedicou sua vida inteira em prol do povo, dos mais necessitados, enfim, ajudando àqueles que mais necessitam de políticas públicas, e tudo isso sem nunca ter assumido um cargo político. Mesmo fora do período eleitoral ela estava no Haiti, ajudando necessitados e lá terminou sua trajetória de boas ações, falecendo após um terremoto durante as ações humanitárias naquele país. Por fim, lanço esse desafio. Observem e reflitam caros colegas, e peço gentilmente, se encontrarem no meio de tantas placas e santinhos, algum candidato com o perfil necessário para assumir um Cargo Político, um candidato que mesmo fora do período eleitoral possua um trabalho beneficente, mesmo sem ocupar cargo político algum, me avise através do meu e-mail abaixo, pois também quero conhecer a trajetória de lutas e ações deste, e depositar meu voto. Caso contrário, se não encontrarmos, continuarei na espera, quem sabe um dia, outros homens com o perfil de Arns surgirão no Brasil para assumir esses nobres Cargos. * EMANOEL GOMES - Historiador pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e-mail:
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