As campanhas políticas mudam com o tempo. O que era necessidade ou sonho popular de ontem, passou a ser, nos dias de hoje, apenas uma bananinha amassada de bolicho de ponta de estrada de terra. Um discurso de Garcia Neto fazia até o gerente do Banco do Brasil perdoar as dívidas do empréstimo de seu partido de sempre, a UDN. O vereador Guinchiglio Luiggi Bello que sempre imaginei que fosse um artista mafioso de filmes italianos, além de cuiabano, vereador e bem casado, tinha uma oratória séria e competente a ponto de chegar à presidência do legislativo cuiabano. A oratória comandava a eleição. E, como falavam bonito. Dava gosto ouvir os rompantes de Gastão Müller e do Filinto. João Ponce de Arruda e até de meu professor de Português e colega de Rádio, Ranulpho Paes de Barros, pai do Anterinho senador... Aulas de cidadania do PSD. Porém, do lado da UDN, o intelecto de um Villasboas, do Lenine C. Póvoas do jornal que comandou bonito O Estado de Mato Grosso; do Augusto Mário Vieira, apresentador do Rádio-jornal Bandeirantes no Ar, mais famoso de nossa história, junto com a heroína May do Couto, educadora, radialista, promotora de justiça, vereadora e do ex-governador cuiabano Fernando Corrêa da Costa. Balançavam Cuiabá... Não havia pesquisa eleitoral. Era voto apurado, voto anunciado, da boca da urna para os ouvidos do povo, cujo slogan do Ivo de Almeida e nossa turma da década de cinqüenta, moldados nos heróis de passado recente daquela emissora A Voz dOeste que já houve por aqui, ainda ecoam. Naquele tempo, a campanha era dia a dia até acabar a votação. Havia exercício de cidadania, cobranças populares, promessas bonitas que até pareciam pedidos de casamento. Todo mundo fazia campanha abertamente até dentro da urna. Todos fumavam, bebiam, brigavam e até matavam bonito, com classe. Era proibido proibir. O povo gostava de votar. Hoje, perdeu a graça, até o voto é obrigatório. Já sabemos quem será o próximo governador. Só faltam essas simples catorze denúncias na cabeça de outros candidatos para decifrarmos a quantidade de votos do ganhador que não mudará mesmo. Giunchíglio, Garcia, Ponce, Fernando, Villasboas, Filinto, Gastão, Augusto Mário, May, esses meus heróis políticos de antanho, só tinham uma preocupação: prometer que acabariam com os coronéis das fazendas dos votos certos e encomendados. Hoje, não! Mudou muito. A primeira pergunta que será feita aos candidatos será: você promete que vai acabar com o horário de verão do Jaime? A segunda será: você promete que vai impedir a demolição-crime do Verdão? A terceira: você promete que vai construir um novo estádio de verdade, acabando com esse deboche do puxadinho que tanto querem empurrar goela abaixo dos cuiabanos e da burra FIFA? A quarta: promete que vai impedir a construção do teleférico bondinho do Pão de Açúcar de uma chácara particular até uma estância-hotel também particular, lá em Chapada com o dinheiro da Copa do Pantanal 2014? E, finalmente a pérola dramática: promete que irá acabar com essa gozação da comissão Agecopa-2009, demitindo essas feras nomeadas sem concurso e sem aval e sem conhecimento esportivo, técnico didático futebolístico e profissional da esfera redonda giratória circular que alguém deve falar a eles que se chama bola e que tem cientificamente o diâmetro, textura, tamanho e peso certos, porém, sempre redonda, coisa que nunca praticaram e nem sabem como enquadrar essa esfera? Menos o guru Roberto França, o único que é professor radialista nesse chão cuiabano de cacos de vidro que ele tanto ralou percorrendo e edificando a história bonita de nossa geração esportiva daqui. Ganha quem responder sim a todas essas perguntas. * PAULO ZAVIASKY é jornalista, ex-presidente do TJD/MT Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de Mato Grosso e mixtense
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