No programa Resumo do Dia, apresentado pelo radialista e deputado estadual Roberto França, nesta última terça-feira, ele questionou os três convidados se as denúncias feitas na véspera pelos candidatos Wilson Santos e Walter Rabello influenciariam na eleição de prefeito de Cuiabá. Fomos unânimes, os articulistas Alfredo da Mota Menezes, Louremberg Alves e eu, em afirmar que influenciarão sim. De que forma? Todos pensam que até aquele momento, a eleição para prefeito de Cuiabá estava definida para ser ganha pelo prefeito Wilson Santos no primeiro turno. Mas a partir das denúncias feitas no programa eleitoral gratuito de segunda-feira, acusando o também candidato Mauro Mendes, embriagado, de ter atropelado um casal em 1993, em Cuiabá, sem prestar assistência, algo mudou. No programa Resumo do Dia, afirmei que Mauro Mendes viria com uma reação muito forte, até porque é do seu temperamento enérgico. Naquele momento ninguém conhecia ainda a sua reação. Ainda, no programa, os três analistas concordaram que a eleição já não seria mais definida no primeiro e corria o risco de ir para o segundo turno, dependendo da reação de Mauro Mendes, que viria 48 horas depois, na quarta-feira. De fato, a resposta veio forte e documentada. No primeiro momento, a resposta desarticulou a denúncia ou, no mínimo, estabeleceu a dúvida na cabeça do eleitor. Mas pareceu-me ontem, depois de ouvir a reação em entrevista de Mauro Mendes na Rádio CBN, de ter visto no blog RD News a entrevista dada pela manhã ao programa Cadeia Neles, e outras repercussões, que surgiu um fato novo que realmente deve ser levado em conta. A candidatura de Mauro Mendes, apesar de sua obstinação pessoal, aparentava ares de esfriamento diante da possível vitória de Wilson Santos em primeiro turno. Mas a partir das denúncias, Mauro Mendes ganhou fôlego e mostrou que está com os brios feridos. Aqui entra outra apreciação. Empresário é diferente de político. Os políticos sabem que as críticas e denúncias são armas eleitorais. Empresário, não! Não aceita e reage pra valer. Foi o que houve. Ontem o clima na campanha de Mauro Mendes era de otimismo pela possibilidade de segundo turno. E ele leva uma vantagem sobre Wilson Santos. O prefeito vem de um mandato de três anos e nove meses, acordando diariamente às 4 horas da madrugada e deitando-se depois da meia-noite. Tem o controle da prefeitura nas mãos e delega pouco, razão até de sua administração não ter escândalos. Cansado e já no fim da campanha, era de esperar apenas a passagem do tempo. Agora terá que enfrentar uma candidatura revigorada e, possivelmente, um segundo turno duro e incerto. Ficam esses registros para que a campanha saia dos trilhos das denúncias e se prenda ao que realmente interessa aos eleitores. Na realidade, todo mundo sabe desde a eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, que denúncias em tempo de eleições não merecem crédito. As pesquisas estão cansadas de mostrar isso desde aquela época. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste
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