Na terceira reunião de políticos cuiabanos, realizada à margem direita do rio Coxipó, perto da histórica localidade do Coxipó do Ouro, um assunto se transformou em tema do dia inteiro. O desaparecimento do cuiabano da face da Terra. É lógico que daqui a dez ou vinte anos, muitos espermatozóides explodirão nesta vivenda que apenas vive do passado, de recordações. Qualquer um que perguntar a qualquer outro: qual é a boa e grande nova para Cuiabá?, certamente ouvirá uma resposta mais ou menos assim: Ora, a fonte luminosa construída pelo prefeito Vuolo. Ou a inauguração da TV Centro América e até mesmo o mais recente acontecimento que foi o Congresso Eucarístico Internacional-1952, no Colégio Estadual de Mato Grosso. Porém, alguns dos presentes levantaram a questão de que mais cedo ou mais tarde muitos de nós ainda veremos a seguinte manchete: Lançado o primeiro astronauta cuiabano rumo a Marte. Já que alienígenas entupiram Cuiabá, os dezenove cuiabanos restantes resolveram construir redes, violas de cocho e rezarem por S. Benedito e pelo Senhor Divino lá na terra deles, o planeta Marte. Um dos mais exaltados na reunião com mais de duas mil pessoas presentes, sendo que só de cuiabanos havia quase dezesseis, gritou que os corredores do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso são um espanto. Num segundo, tiraram-no do palanque. Outro citou o parlamento de Mato Grosso. Quando ia falar sobre os deputados que não são mato-grossenses... Apenas sumiu. Agora o farmacêutico autêntico daqui, Sir Johansew Kracóvineskye, apenas não aceita o fato de a nossa câmara municipal de Cuiabá eleger paródias do Alaska e sanfoneiros de Cuba para esse delírio atual. Não sabemos ao certo porque ele sonha com uma câmara municipal daqui com gente daqui. Talvez esteja louco. Citou o exemplo da senadora Serys que vive dizendo ser grata aos eleitores daqui, vive pensando em fazer algo por Cuiabá, foi eleita com votos expressivos daqui, mora aqui e, após longo desaparecimento total, acaba de virar notícia por estar no meio de um cinematográfico assalto onde metralhadoras dispararam mais de cem tiros por cima de sua cabeça... Sabe onde? Em Comodoro (MT) fazendo campanha numa carreata em cima de um caminhão, bem longe daqui. A Câmara de Cuiabá não deve ter e nem eleger gente cuiabana. Deve imitar o que acontece nos outros poderes daqui. Um entusiasmado mineiro de boa cepa, gente fina toda vida, disse que a Academia Mato-grossense de Letras sempre foi um fracasso quando tinha só cuiabanos lá dentro, como Dom Aquino Corrêa, o nosso gigante Lenine Póvoas ou o Rubens de Mendonça. Particularmente, acho um exagero dele. Hoje, mesmo sendo abrigo dos irmãos intelectuais de outras plagas, continua edificada, sólida, altaneira e, porque não, internacionalizada só com valores reconhecidos. E a comparação com as outras academias que diferem da mato-grossense nesse item, presumo coincidência apenas por haver mais intelectualidades nativas noutros planetas, ao contrário de Cuiabá que passa por um fastio cultural e/ou intelectual, segundo as fontes dessas mesmas instituições do bem. Enfim, todo mundo está notando o ridículo desta campanha política em que os candidatos a prefeito e a vereador são explosivamente extraterrestres. Portanto, ponto para os cuiabanos que evitaram colocar a cara nessa macrobiótica ditadura clamorosa da vergonha do silêncio, da falta de contestação, de pacto de honra com o povo daqui e discussão de idéias e ideais. A reunião acabou com a Carta do Coxipó, que enaltece os cuiabanos que apenas assistem aos apelos dos desesperados em frente à telinha do ridículo, praticando o esporte cuspe à distância e balançando a cabeça dizendo: Bem feito procês. * PAULO ZAVIASKY é jornalista. Está no 24horasnews e comenta na Rádio Natureza de Chapada (MT) e emissoras autorizadas
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