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Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 29 de Agosto de 2009, 08h:08

PAULO ZAVIASKY

Prefeito vire a mesa ou renuncie

Já não se fazem mais políticos como antigamente. Vamos dar um exemplo clássico recente. De um lado da gangorra, esse menino Wilson Santos que o povo elegeu para prefeito. De outro, o juiz federal que bloqueou as contas da prefeitura de Cuiabá. Não falo do juiz federal que mandou a PF prender os acusados da Sanecap. Afinal, ele está apenas cumprindo com o seu dever. E bem. Cito o administrador, o poder executivo exercido pelo juiz federal nessa outra função política. A que ponto chegamos. Um bom funcionário tem que ser idolatrado. Pura inversão de valores. A regra passou a ser as safadezas, os desmandos, os crimes. Se um cidadão cumpre com o seu dever, por mais básico, há um rebu danado dos olhos esbugalhados de um povo que se acostumou com a bandidagem e fica atônito quando vê alguém trabalhar corretamente como o juiz federal e já o condena a ser político senador ou governador. Suspender o dinheiro público do povo cuiabano, há, democraticamente, contradições no fio da elasticidade legal. Tenho a mais absoluta certeza de que tal fato nunca ocorreria sob o manto do presidente general Figueiredo que mandava arrebentar, matar e triturar aqueles que tivessem o cheiro de povo e não do cavalo dele. Época em que juiz levava tapa de simples guarda de trânsito, lembram-se disso? Militar ganhava vinte mil por mês e juiz mil e quinhentos. Hoje, militar continua ganhando a mesma coisa e juiz quarenta e mais os benefícios de um milhão e meio de seis em seis meses, conforme essas denúncias feitas por eles próprios lá de dentro daquele mesmo poder nessas listas dos últimos escândalos daqui. E tudo isso veio de cima para baixo desde o TRT paulista. Mas, será que um juiz faria isso que está fazendo com o prefeito daqui, caso o prefeito ainda fosse o extraordinário Cel. Meirelles? Falo do bloqueio do cofre do povo e nunca das acusações e prisões feitas. Com o Garcia Neto que, por muito menos, mobilizou Cuiabá inteira, povo de revólver na cintura, no famoso episódio político da “Ponte da Confusão”? Com Júlio Müller. Filinto Müller, Villasboas, Ponce de Arruda, Vuolo, o extraordinário Hélio Palma de Arruda ou Frederico Campos? Homens e políticos. E se fosse um caso antidemocrático do juiz federal, à La Hugo Chaves, Fidel Castro, Morález, pela força, estes políticos simplesmente entregariam o boné! Ou sou prefeito, dádiva do povo e, ao mesmo tempo síndico nosso e nosso preposto, ou não sou nada. Boneco de vitrine? Fantoche? Bola quadrada e estádios idem que querem enfiar na goela do povo cuiabano e da Fifa? Acho que o prefeito Santos deve rever sua posição perante o Estado de Direito. Ir até a um país sério e democrático como Uganda ou Etiópia, por exemplo, e pedir conselhos e até amparo. Não pode e não deve continuar sendo apenas boneco de vitrine por aqui. Até porque o povo não perdoa. Diante dos últimos anúncios do juiz federal que tentou afastar seu próprio colega da OAB-MT, já que ambos têm a mesma formação na Ciência do Direito para serem o que são, afirmando que está administrando os dinheiros públicos da prefeitura e vai doar (?) esse dinheirão ao povo de Cuiabá, cabe as perguntas: Senhor prefeito, tem rabo preso? Possui algum crime escondido? Tem culpa do que outros fizeram e continuam fazendo e vão continuar fazendo e vão ficar em liberdade como todos até agora no Brasil - e aqui - e não devolverão um centavo aos cofres nossos de cada dia?... Se não, por que não vira a mesa? Está quietinho por quê? Ou então renuncie! Não pode e não deve, por ser nosso representante, aceitar a ingerência de outro poder em sua cozinha municipal. Que é isso, minha gente? Não há caso similar no Brasil inteiro. Olhe de lado. Agora. Já imaginaram um juiz federal intervir no congresso do Sarney nacional apenas por causa dessas bobagens que acontecem por lá? Se tiver rabo preso, continue quieto e vá levando essa desmoralização nos ombros de nosso povo que nunca passou por isso. Caso não tenha, vire a mesa ou renuncie. E essa história de que o juiz federal é ou não candidato ao governo ou senado é fantasia, pois ele mesmo sabe que uma coisa é essa bonita ação junto à PF que todos aplaudimos com força e nos orgulhamos e, outra, é a de candidato. Caso o juiz federal for candidato, até eu já vi a lista das acusações fantásticas que cairão como ira dos deuses em cima de sua cabeça na democracia cidadã no exercício da campanha pesada que se avizinha. Inclusive, a mais pesada, a de que estaria com alguns fios de cabelos brancos. Com o berço que temos em nossa história de homens e líderes cuiabanos e mato-grossenses e o desfile cívico dos ex-prefeitos de nossa honra e glória, não podemos aceitar, humilhados, o pagamento dessa duplicata de compra que nunca fizemos! * PAULO ZAVIASKY é Advogado da turma de 1968/69 da vetusta Faculdade Federal de Direito de Cuiabá, embrião puro da UFMT da qual fomos seus criadores. Radialista e jornalista desde 1954. Ex-presidente da ACES – Associação Cuiabana dos Estudantes Secundários-1961 [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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