Este assunto tem duas vertentes: a descoberta de reservas de petróleo estimadas em 8 bilhões de barris no fundo do mar entre o Espírito Santo e Santa Catarina, e o anúncio do presidente Lula de que o governo usará os recursos financeiros decorrentes da exploração, para resgatar a educação brasileira. Ora, com o petróleo superando a casa dos 100 dólares e estimativas de curto prazo de até dobrar de preço, descobertas como essa tiram o Brasil da posição de 24° produtor de petróleo no mundo e o elevariam para a oitava ou nona posição. Sem contar o volume de recursos que a exploração geraria. Mas vamos voltar à educação. Quando li e ouvi a afirmação do presidente da República não pude deixar de associá-la com as raízes da crise atual da educação brasileira que, realmente, precisa ser resgatada para o país deixar de ser tão periférico num mundo tão globalizado. Algumas posições são muito interessantes. A primeira, as sucessivas mudanças da filosofia educacional no Brasil por influências externas, ideológicas ou de conveniência. Por exemplo, até 1962 a educação seguia a escola francesa, que era mais humanista. No lugar veio o estilo norte-americano, superficial e utilitarista, que vigora ainda hoje, acrescido da ideologia de esquerda a partir do final dos anos 80. Na década de 70, com o "milagre econômico" brasileiro, as famílias se urbanizaram rapidamente e as mulheres tiveram espaços no mercado de trabalho. Deixaram em casa muitos filhos entregues a parentes idosos que um dia morreram. Daí em diante esses filhos ficaram por conta da rua e da televisão. Nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, as mulheres que se empregaram como operárias nas fábricas de armamentos continuaram no mercado profundamente aquecido do pós-guerra. Mas a escola passou a funcionar em tempo integral para compensar a falta física das mães. No Brasil, não! E até hoje a escola brasileira continua em horário parcial de 3 ou 4 horas, na contramão da realidade. Por fim, outro fator muito grave atingiu a escola pública brasileira. A partir da década de 70, o "milagre econômico" fez surgir uma classe média que antes não existia. Essa classe buscou a escola privada para os seus filhos e a escola pública se transformou em escola para filhos de pobres. Despolitizada sob o baixo poder de pressão dos pobres, a escola deteriorou e, sem a pressão dos pais da classe média mais politizados e influentes, os governos não tiveram o menor interesse em recuperar aquela velha e boa escola pública brasileira. O resultado de tudo isso foi que as escolas viraram lugar para massa de manobra política e ideológica dos partidos de esquerda ou de partidos oportunistas. Os professores soltos e sem maior apoio da sociedade brasileira, perderam a dignidade salarial e tornaram-se reféns de políticas burras de governos burros e interesseiros em que a sociedade também ficasse burra. Este é o estado da escola pública brasileira: sem rumo, sem pai e sem mãe! Se o presidente da República, de fato, cumprir a promessa, a História lhe ficará devendo milênios de anos de reconhecimento. Melhor educação significa, menos violência, melhor saúde, melhor cidadania e a construção de uma sociedade real, ao contrário de hoje em que a sociedade é formada por ilhas e, mesmo assim, todas carentes de uma educação decente! * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste
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