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ARTIGO
Quinta-feira, 03 de Julho de 2014, 19h:42

VICENTE VUOLO

Pós-Copa

Cuiabá cumpriu bem o seu papel na Copa do Mundo. Os visitantes saíram encantados com o que temos de melhor, o povo. Ficaram cativados com a hospitalidade e a alegria de nosso povo. Agora, a vida volta ao normal e os problemas continuam. Corrupção, falta de planejamento, atrasos em obras, desperdícios de dinheiro público. E a pergunta que se faz, é como será Cuiabá e Mato Grosso pós-Copa? A imprensa internacional enalteceu a acolhida do povo cuiabano durante o período dos jogos na capital. A Arena Pantanal transbordou de gente e de alegria. As comemorações romperam madrugadas. Torcedores de todos os cantos do mundo aprenderam rápido nosso jeito de compensar as deficiências estruturais com simpatia e bom humor. Foi assim, que chilenos fizeram a gigantesca onda vermelha. Colombianos a febre amarela. Japoneses nos ensinaram como devemos zelar pelo patrimônio, juntando o lixo no estádio. Coreanos, educados, reclamaram muito da ineficiência do transporte coletivo. Americanos lamentaram o potencial imenso da Chapada pouco aproveitado. Australianos dançaram como nunca o rasqueado cuiabano. E bósnios, nigerianos e russos ajudaram a transformar, com a suas garras de guerra, jogos que seriam inexpressivos, futebol de boa qualidade e com muita emoção. Em resumo, a Copa do Mundo em Cuiabá foi um sucesso que todos gostariam que fosse para sempre. Mas, no fundo, todos sabem que o reencontro com a realidade é inevitável. O que nem todos perceberam ainda, talvez por estarem envolvidos com a sequencia dos jogos, e com a torcida pelo hexacampeonato, é que Mato Grosso vive uma crise ética, crescimento desordenado e por um governo que não está nem um pouco preocupado com o desenvolvimento sustentável. Tão ruim que pode comprometer a manutenção dos nossos três ecossistemas. Os indicadores dessa situação estão por toda parte. O próprio governo, endividado até o pescoço, pressionado pelo calendário eleitoral, acaba desvelando mais uma ponta do problema maior: a falta de projetos a médio prazo. Não existe preocupação com o futuro de nosso Estado. É como se cada Secretaria estivesse apenas curando feridos numa guerra. Não se discute as causas dessa guerra. O importante é fazer algo, aparecer de qualquer jeito. Não importa o conteúdo, o caráter, a prioridade. O que importa para esses governantes é a aparência. Dizer que fez e pronto. É de se ver tanta mediocridade em propagandas políticas. O personalismo, o egocentrismo de alguns. A necessidade de ostentar, de ser o maior benfeitor. Não importa que essas obras estejam repletas de corrupção, com um custo muito maior do que o necessário. É uma pena que a China não foi classificada para esta Copa. Poderíamos ter adquirido uma cartilha daquele país, onde se mostra como a cada dia naquele gigante asiático que as obras estão sendo realizadas em prazo cada vez menor, custo baixíssimo e rigorosamente no prazo previsto de entrega. Que a Copa, também, sirva de aprendizagem aos nossos irmãos estrangeiros. Que roubar é feio, inaceitável, intolerável, tem que ir para a cadeia. Que lá, a impunidade não existe. Que o pós-Copa seja um momento de mudança. Que comece em cada um de nós. * VICENTE VUOLO é Cientista Político e Analista Legislativo do Senado Federal [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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