O ex-governador e senador eleito Blairo Maggi (PR) não será ministro do governo Dilma Roussef (PT) porque tenha recusado o cargo, conforme se lê em alguns órgãos da Imprensa, pressurosos em afirmar que ele não aceitou o convite. Não será ministro porque não houve o convite, no máximo algumas sondagens superficiais e preliminares. Com base na experiência e conhecimento de como se trava a disputa por espaços nas altas esferas políticas e administrativas, onde bem mais do que a vontade de ser ou não indicado prevalece a chamada correlação de forças (e no momento essa é desfavorável para Blairo, conforme mostraremos mais adiante), é razoável supor que não houve mesmo sequer o chamado sinal verde, para que o senador eleito começasse a articular nesse sentido, buscando agregar forças políticas e empresariais para tomar assento na Esplanada dos Ministérios. A atividade política é movida, principalmente pela expectativa de um poder sempre maior, depois é que vêm outras aspirações, como o ideal de servir à causa pública, etc e tal, entre outros discursos que douram a pílula das justificativas que os políticos em geral usam quando buscam o voto. E Blairo não está na política pelo simples fato de estar. Logo, partindo desse raciocínio, ele que não perdeu a chance (quando poderia, perfeitamente ter recusado a oportunidade de se eleger, e voltado para suas empresas) eleitoral de virar senador por Mato Grosso, não iria declinar do convite para ser Ministro da Agricultura (ou dos Transportes). Cujas pastas têm grande visibilidade política, status por conseqüência, e orçamentos ainda maiores, e recusá-las só é admissível conjecturar na hipótese de que Blairo estivesse disposto a dependurar as chuteiras. Querendo se aposentar numa carreira iniciada, na verdade, há pouco tempo, quando se compara o período da sua atuação na vida pública com o longo calendário temporal que marca a participação e trajetória na militância de políticos com a dimensão que Blairo já granjeou a de quem foi governador por dois mandatos, elegeu seu sucessor e foi eleito senador por uma ampla margem de frente sobre o também senador eleito Pedro Taques (PDT), que ficou com a segunda vaga para o Senado. Se fosse para se aposentar precocemente da política, é mais lógico e racional que não tivesse saído sequer candidato na recente eleição. Ah!, alguém pode argumentar, ele foi pressionado... E daí, pressão faz parte do jogo político, mas não significa que tenha sido obrigado de uma maneira irrecusável a sair candidato. Saiu porque quis. Também pelo menos nessa primeira fase, que se inicia no próximo dia 1º de janeiro não assumirá o Ministério da Agricultura, conforme se cogitou a princípio, ou o dos Transportes que está na cota do PR, porque Lula ou Dilma não queira ou porque ele não tenha condições técnicas ou políticas para exercer cargos dessa magnitude do primeiro escalão do governo federal. Ao contrário, Blairo Maggi tem preparo administrativo e político para ser ministro da Agricultura ou dos Transportes. Mais ainda: Dilma e Lula gostam dele e cultivam relações próximas. Por que, então, pode perguntar o leitor menos avisado, ele não vai virar ministro? Evidentemente, de acordo com o já exposto linhas acima, Blairo não vai integrar o staff executivo federal pelo fato de não querer ou de Lula ou Dilma não desejarem. Não é dessa forma as coisas funcionam nas relações de poder. Não será ministro porque na cota do seu partido, o PR, só tem uma vaga de ministeriável e esta deve ser, muito provavelmente, destinada ao senador Alfredo Nascimento, ex-ministro dos Transportes de Lula e candidato derrotado ao Governo do Amazonas. Se o ex-ministro dos Transportes tivesse sido eleito governador, aí sim, Blairo só não seria ministro caso realmente não quisesse. E eu, particularmente, duvido que ele iria recusar. Mário Marques de Almeida é diretor do site e jornal Página Única. E-mail:
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