Com o fim das Olimpíadas de Londres, o telespectador brasileiro não pode reclamar da cobertura da Rede Record. Os melhores profissionais, a maior equipe em quantidade e também em qualidade para esse tipo de evento foi disponibilizado. O resultado não é considerado o melhor porque o brasileiro tem mania de comparar. Comparar o conhecido, no caso a rede concorrente com o desconhecido que é a Record que teve a exclusividade do evento. Isso de querer achar que tem um melhor que o outro é cultural, está arraigado desde que nascemos. Mas isso pode e deve mudar. Muita gente reclamou que a transmissão da Record foi pior que se fosse na Globo, mas quem acompanhou os jogos de Londres percebeu quer não era bem assim. Como canal aberto, a Record fez bonito. Pena que os atletas não tiveram o mesmo ritmo. Essa de achar que uma é melhor que e outra nos remete a outros setores da economia. O Brasil viveu anos a fio consumindo o presunto S, o leite condensado M, a margarina D e o refrigerante classe C. Como se fossem os melhores, os demais inferiores, uma diferença gritante, nem tanto no sabor. A diferença era mesmo no bolso. O preço dos produtos líderes sempre foi o dobro. É possível que em um determinado período alguns produtos tivessem essa grande diferença, mas com a presença maciça de empresas estrangeiras no país trazendo novas tecnologias fez com que os produtos ficassem no mesmo nível. Exceto em relação ao preço que continua o dobro. O brasileiro tem o hábito dos povos latinos que fideliza marcas, produtos, enfim, tudo o que puder. Com isso, as empresas lucram vendendo menos, mas por um preço superior. Os norte-americanos já tem uma cultura diferente. Lá, não tem marca líder, pois se não tiver qualidade não se estabelece. Vale é o menor preço, pois o lucro está em vender mais por um preço menor. Tanto que existe liquidação de inverno no próprio inverno. O brasileiro começa a mudar porque a classe média resolveu consumir. E para isso precisa dinheiro e se pagar o dobro por um mesmo produto, não vai sobrar. Então, é preciso pechinchar. Com a sobra, compra outras necessidades ou paga a conta que ficou para trás. Esse ideia é nova e tomara que venha para ficar. ADILSON ROSA é repórter