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ARTIGO
Sábado, 19 de Abril de 2008, 15h:54

EUNICE P. A. CARVALHIDO

Orgulho dos mato-grossenses

Nasci em Alto Garças, uma pequena cidade situada no Estado de Mato Grosso, e sempre me interessei em conhecer a história do meu Estado e dos meus conterrâneos, homens e mulheres ilustres que tanto contribuíram para escrever a história do Brasil. Em um momento de retorno ao passado, relembrei muitos deles, acabando por fixar-me na história mais recente, nos meus contemporâneos, os nascidos na década de 50. Então vieram à minha mente os feitos de um engenheiro civil e político brasileiro, Dante Martins de Oliveira, nascido em 6 de fevereiro de 1952, na cidade de Cuiabá, que já não mais está entre nós, mas que deixou sua presença marcada na história com as “Diretas Já”, que contribuíram decisivamente para os ventos democráticos que varreram e continuam varrendo o nosso País. Também veio à minha mente o fato de que apenas dois mato-grossenses foram alçados ao Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte de Justiça Nacional, nascida com a Proclamação da República Federativa do Brasil e cuja formação inicial contou com integrantes do Supremo Tribunal de Justiça existente no Império. O primeiro mato-grossense que integrou o órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro foi Manoel José Murtinho, vocacionado para as letras jurídicas, nascido em 15 de dezembro de 1847, na cidade de Cuiabá, então província de Mato Grosso, tendo sido nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal em 18 de janeiro de 1897, na vaga decorrente do falecimento de Antonio de Sousa Martins. Tomou posse em 23 de janeiro de 1897 e chegou à vice-presidência do Tribunal em 30 de setembro de 1913, por ocasião da aposentadoria de Antonio Augusto Ribeiro de Almeida. Faleceu em 22 de abril de 1917 e foi sepultado na cidade do Rio de Janeiro. O Estado de Mato Grosso, assim, aguardou por quase 85 (oitenta e cinco anos) para que um seu segundo filho, Gilmar Ferreira Mendes, nascido na cidade de Diamantino, filho do Francisco Ferreira Mendes e de Nilde Alves Mendes, fosse nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal, cuja posse ocorreu em 20 de junho de 2002. A excelência da formação acadêmica, da capacidade intelectual e da produção científica de Gilmar Mendes é notória e invejável. O seu currículo, composto de 76 (setenta e seis) páginas, é de fôlego e demonstra a sua múltipla, complexa e densa capacidade de realização. Seria imperdoável, contudo, não falar do Gilmar como o amoroso pai da Laura e do Francisco, não falar do Gilmar como o esposo e fiel companheiro da Guiomar, não falar do amigo Gilmar de todas as horas, do homem que vive o sentimento da gratidão e da lealdade, do ser humano que não se afastou das origens interioranas, em que pesem suas magníficas conquistas pessoais e intelectuais, internacionalmente reconhecidas. Também é certo que Gilmar é pessoa firme e de grande dignidade, homem de caráter reto e que tem coragem de expor e defender suas convicções, sem perder a capacidade de revê-las e de aceitar posições melhores que as suas, além de ser exímio lutador que sabe enfrentar as adversidades que lhe cruzam o caminho, sem jamais se afastar do rigor com que defende seus princípios e ideais, confundido, às vezes, como intolerância por uns, ou intransigência, por outros. Imperdoável também seria não falar da admiração e do respeito que GILMAR infunde a tantos quantos têm o privilégio de privar de seu convívio, da sua amizade e do seu companheirismo. GILMAR MENDES será o primeiro mato-grossense que ocupará a Presidência do Supremo Tribunal Federal e a Presidência do Conselho Nacional de Justiça e os seus conterrâneos estão imensamente orgulhosos desse feito. É pena que Seu Chiquinho e a Dona Nilde não possam viver pessoalmente esse momento de júbilo do seu primogênito, mas é certo que, lá onde se encontram, estão em vigília pedindo a Deus, Todo Poderoso, que conceda a GILMAR a sabedoria necessária para enfrentar os percalços que certamente surgirão nessa nova jornada. Ministro Gilmar Mendes, não há dúvida de que os jurisdicionados, que padecem da desesperança de ver resolvidas as suas pendências judiciais em tempo útil às suas vidas, vítimas inermes da morosidade da Justiça, que fortalece progressivamente a negação do Direito e a certeza da impunidade, muito esperam da sua tenacidade e do seu valor nas novas funções, sem esquecer, é óbvio, do muito que já se fez em prol do resgate do Poder Judiciário, indispensável à promoção da dignidade da pessoa humana. Gilmar, os seus conterrâneos sabem e têm consciência que árdua é a tarefa, como tantas outras já vencidas. Cumpre, todavia, como no modelo Paulino, permanecendo firme na fé, combater o bom combate no labor da construção do Estado Democrático e Social de Direito. * EUNICE PEREIRA AMORIM CARVALHIDO é Procuradora de Justiça do MPDFT e mestre em Direito das Relações Internacionais

Edição EDIÇÃO 16967




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