ARTIGO
Segunda-feira, 13 de Agosto de 2012, 22h:00
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LORENZO FALCÃO
Olimpíadas na saudade
Uma pena que se acabaram os Jogos Olímpicos de Londres. Enquanto estavam rolando, eu tinha algo saudável, interessante e emocionante para preencher minha cabeça. Podia torcer à vontade e me frustrar na maior parte das vezes, mas estive imbuído pelos ideais olímpicos. Eles mal findaram e já ficaram as saudades de minha parte. No domingo, apesar de sempre apreciar cerimônias de encerramento e de abertura de eventos grandiosos como as olimpíadas, fiz a opção equivocada de assistir o jogo do meu Fluminense contra o Palmeiras. Sinceramente, uma pelada daquelas ridículas. Acho que um placar correto seria -1 a -1, de acordo com o nível do futebol apresentado. Em todo caso, o Fluminense ganhou e superou o bacalhau (Vasco) na pontuação. O difícil vai ser cozinhar o Galo (Atlético/MG). Mas, apesar do joguinho de várzea que curti, não perdi a cerimônia de abertura, que deixei gravando. Coordenada pela cenógrafa Daniela Thomas e pelo cineasta Cao Hamburger, ao longo de quase dez minutos, foi produzido um belo e dinâmico espetáculo. Temia que seguissem o estilo Sargentelli, com muitas mulatas e poucas roupas em cena. Mas não foi nada disso. A diversidade cultural brazuca esteve bem articulada. A cantoria de Marisa Monte, Seo Jorge e BNegão também correspondeu. Bem, Marisa, belíssima e muito afinada, não tem lá uma voz ideal para uma Bachiana Brasileira, mas acho que ninguém reparou isso. Mas eu reparei. Reparei mais mesmo foi em outra coisa. Na reportagem do Sport TV que resumiu a abertura e todo aquele clima festivo, num programa comandado pelo Galvão Bueno. Sequer foi citado ou exibida uma imagem do rapper BNegão, que considero notável figura da música brasileira. Confesso que nunca jamais morri de amores pelo rap brasileiro, mas ele está aí e precisa ser reconhecido e é representativo de um movimento forte já enraizado pelo Brasil afora. Achei muita sacanagem essa discriminação com BNegão. Já Galvão Bueno e o rififi que rolou entre ele e o Renato Maurício Prado, sem comentários. Galvão, na verdade, não está nada bueno. Já passou da hora de ele se aposentar. Outro que poderia se aposentar também, pelo menos do comando da seleção brasileira de futebol, é o Mano Menezes. Antes dos Jogos de Londres, rolava o boato de que Mano seria demitido, caso o Brasil não trouxesse o ouro. Pois bem: o ouro não veio e não é que o cara de pau do José Maria Marins, o todo poderoso da CBF, vulgo Zé das Medalhas, disse que o Mano continua? Sinceramente, não sei o que é pior: acreditar ou confiar em cartola de futebol. LORENZO FALCÃO é editor do DC Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras tyrannusmelancholicus.blogspot.com