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ARTIGO
Terça-feira, 16 de Junho de 2009, 21h:24

VALFRIDO M. CHAVES

O retorno de Tarzan

Os adolescentes de minha geração tiveram sua imaginação povoada pelas criações do escritor Edgar Rice Burroughs, que nos levava pela inóspita África onde, fascinados, seguíamos o épico gigante branco: Tarzan. Filho de nobres ingleses, criado por gorilas, Tarzan tornou-se um defensor de causas nobres nas planícies e florestas africanas. Sua inteligência, bravura e generosidade levavam-no a infindáveis aventuras em defesa do bem, dos oprimidos e da fauna africana. Tarzan teria sido, então, um louvável mito precursor das preocupações e ações direcionadas para a proteção da natureza, quando agredida pela humana vilania. Fruto de uma época, ingênuos que então éramos, não percebíamos os laivos colonialistas de Tarzan. Hoje sabemos que nosso herói, enquanto mito, cumpria um papel de encomenda no imaginário coletivo: sugerir que as nações colonizadoras desempenhavam uma ação civilizadora naquele malfadado continente. Tarzan seria o modelo, o herói mítico que representava e justificava a presença “civilizadora” e hegemônica do homem branco na África, junto a uma população nativa, incapaz e ingênua. Dando um salto da África Colonial para o Brasil contemporâneo, verificamos aqui a presença de inúmeras organizações não governamentais (ONGs) mantidas, de um modo ou de outro, pelas nações hegemônicas atuais. Muito bem intencionadas, vocacionadas para uma genérica “proteção do meio ambiente”: florestas, águas, cerrados, biodiversidade, parecem uma reedição do Tarzan dos bons tempos. São financiados casualmente pelas economias cujo setor agropecuário é incapaz de concorrer com o nosso, sobrevivendo graças ao subsídio diário de um bilhão de dólares. Para tanto, conseguem transformar todos os nossos privilégios naturais em "problema", viabilizando uma rede externa de barreiras morais, ambientais e econômicas para dificultar nossa expansão agropecuária, sempre através de uma gororoba pseudo-ambientalista politicamente correta. Em um mundo ameaçadíssimo pelo efeito estufa e mudanças climáticas catastróficas, conseguem convencer amplos setores da mídia mundial e nacional que nosso gado impacta a Amazônia, nosso combustível verde ataca a soberania alimentar, e nossas hidroelétricas são anti-ecológicas, a soja seria desertificante. Não fora o prestígio pessoal e carisma do presidente Lula, que tem sido coerente na defesa dos interesses geopolíticos nacionais, estaríamos submissos ao ambientalismo-Tarzan a serviço das economias tradicionalmente hegemônicas. Não se pode deixar de mencionar o "tarzan-indigenista-religioso" que semeia malocas e "terras indígenas" em todo lugar em que se descubra minérios ou que sejam estratégicos para a navegação fluvial ou construção de hidroelétricas. O financiamento externo do "conflito rural", inclusive indigenista, destinado a dificultar nossa economia nas fronteiras é uma vergonha diante da qual o Estado brasileiro hoje fecha os olhos, expondo então seus comprometimentos ideológicos. A psicanálise, após verificar na criança o desejo de posse sobre a mãe e hostilidade em relação ao pai, constata que nem todos superam essa fase infantil de seu desenvolvimento psicossexual. Nesse caso, permanecem imersos em ciúmes edípicos e desejos inconscientes de afastar o papai da mamãe, colocando nela um cinto de castidade, impedindo assim sua fecundação. Acontece que no adulto tais fantasias infantis se manifestam de modo simbolizado, ou seja, a figura materna frequentemente é projetada na "mãe natureza" e o pai é visto na figura daquele que fecunda a terra: o produtor rural. Aí se nutre o "eco-xiitismo", que se manifesta através da visão deliróide de que a fecundação da terra é, sempre, algo próximo ao estupro. Portanto, colocar um cinto de castidade na natureza seria a mais nobre das ações humanas. Os interesses geopolíticos conhecem essa dinâmica e a manipulam, para atingirem seus óbvios e engessantes objetivos "neo-colonialistas". Tarzans coloridos não lhes tem faltado, até de colete, em passeata pró-maconha. * VALFRIDO M. CHAVES é psicanalista pantaneiro

Edição EDIÇÃO 16962




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