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ARTIGO
Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011, 21h:27

ROSIVALDO SENNA

O remédio de cada dia

Como se não bastassem os problemas de atendimento nos hospitais e prontos-socorros do município, e que por sinal já se arrastam há vários anos, mais um, também de consequências terríveis para os que dependem do sistema, vem acontecendo e tirando a tranquilidade - e por que não dizer a saúde? - de muitos. Trata-se dos remédios de alto custo, concedidos para aposentados, pensionistas e para os que não podem pagar por medicamentos mais caros. Na teoria, tudo é perfeito. O discurso e a sua aplicabilidade fluem como que em águas rasas e serenas. Será assim, e assim, assado. Na prática, porém, tudo não passa de pura retórica. Nada funciona! E a causa de tudo é muito simples: faltam coordenação, interesse e palavra. Acontece que os governos (estadual e municipal) não se entendem. Cada um fala uma coisa. Em princípio, ou objetivo principal, seria descentralizar o sistema de saúde, com algumas das responsabilidades, como a distribuição de remédios de alto custo, passando para os postos de saúde nos bairros. Ou seja: os medicamentos retirados pelos pacientes na Secretaria Estadual de Saúde seriam encaminhados aos postos de saúde. Sendo assim, bastaria o paciente procurar a unidade de saúde no seu bairro para retirar o medicamento. Porém, nada disso está acontecendo, já que as referidas unidades [de saúde] não estão, pelo menos é o que alegam, recebendo os medicamentos. E as desculpas, que já duram meses, são sempre as mesmas: “até o momento, nada". Volte mês que vem. Seria cômico, se não fosse trágico. Como esperar meses e meses para se ter acesso a um medicamento de uso contínuo? Como é que o paciente que toma doses diárias de medicamentos para hipertensão arterial, coração, osteoporose, e outros tipos de doença, vai aguardar dias, até meses, pela chegada do medicamento? Como? Nos postos, são sempre as atendentes que dão a ‘boa’ notícia. Falar com o responsável é uma tarefa muito difícil, já que a referida figura nunca está no local. O que se ouve é: “ela (ou ele), mas é geralmente ela, ainda não chegou. Que pena, acabou de sair”. E assim por diante... O que está faltando, na realidade, é um interesse maior por parte dos responsáveis pelo setor, e também respeito para com as pessoas idosas e que, de uma forma ou de outra, necessitam destes medicamentos. O mais importante de tudo é que essas pessoas não estão buscando nenhum favor. Elas têm direito. E antes que a coisa fuja totalmente do controle, como vem acontecendo nos hospitais e prontos-socorros, que se encontre uma solução, provando que isso se deve, pura, e simplesmente, à falta de coordenação. Se preciso, voltaremos ao assunto! ROSIVALDO SENNA é editor de Nacional, Internacional e Veículos do Diário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16966




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