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ARTIGO
Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014, 21h:19

ALTEMIR DALPIAZ

O que as eleições nos mostram

Eleições mostram mais do que cada candidato tenta esconder. Vai além. Mostram o que eles realmente são e até onde podem ir em troca de votos. Por isso, fiquei em dúvidas sobre quem irá governar o país após as eleições, se serão os candidatos ou os marqueteiros. Terminada a votação do primeiro turno, a apuração começava a mostrar o que os institutos escondiam, alguns temiam e muitos desconfiavam. Apresentados os resultados ficou a dúvida pairando no ar: Como seria dali pra frente? Eu gostava mais da Dilma assaltando bancos do que se aliando a eles, embora considere que isso não seja o melhor caminho para resolver problemas. Acho as imagens do Aécio junto ao falecido avô Tancredo Neves mais românticas do que ele bêbado dirigindo e fugindo do bafômetro. Em meio ao desespero pelo pavor de perder uma eleição a baixaria ganhou proporções gigantescas. Ocorre que as coisas estão mudando. Hoje é mais fácil o eleitor ficar enojado com quem sai ofendendo, do que mudar seu voto por causa de ataques pessoais. O que pode mudar o voto de alguém, nesse instante, seria um fato novo, outra vez. Fico imaginando na possibilidade da Dilma, orientada pelos marqueteiros, entrar em um choro compulsivo no próximo debate e diante da compaixão do eleitorado, aumentar seus votos. Isso pode acontecer, principalmente para quem quase desmaiou após se enrolar em uma entrevista ao vivo. Pode também acontecer, do Aécio, além de prometer o 13ª salário para o Bolsa Família, oferecer férias remuneradas. A maior parte da população vota, ainda, pensando em sua situação pessoal. O que a sua vida mudou, ou poderá mudar daqui pra frente? O voto está na resposta desta pergunta. Quanto mais a população de menor renda foi tendo acesso ao que antes pertencia a uma classe exclusiva, maior foi a reação dos que perdiam privilégios. É lamentável que a condição humana, de viver melhor, esteja atrelada às decisões políticas. Mas está! Definitivamente, não será o que gostamos de ouvir o que irá acontecer, mas sim, o que eles precisam fazer pra se manter no poder. É apenas no final de tudo, que poderemos dimensionar o tamanho de nossas escolhas. Mal ou bem-feitas, elas influenciam em nossas vidas. Nem sempre de tudo prevalecem as coisas ruins, nem as boas. Enquanto houver democracia e liberdade de expressão vamos expurgando o que nos faz mal. Não gostamos de ditadura, mesmo as “democráticas”, que perpetuam os eleitos no poder. Não suportamos o descaso com os miseráveis necessitados, que conforme dados, estão diminuindo no Brasil. Não toleramos sermos enganados, embora depois de eleitos, eles façam isso. Essa enganação é imperdoável, porém está incorporada em nossas vidas. O povo capta essas intenções, mesmo que as informações cheguem até nós distorcidas, viciadas, plantadas. A disputa tomou proporções separatistas entre esquerda e direita. Pobre e rico. Público e privado. Coxinha e militante. Nordeste e centro-sul. Burguês e oprimido. Quando as discussões tomam essas proporções, nasce com ela uma intolerância, que lentamente vai espalhando suas raízes em um solo que agora se mostra fértil para isso. Quando mais jovem, pensava em mudar o mundo. Depois, percebi que era muito difícil mudar a mim mesmo. Hoje (acho que aprendi), já me dou por satisfeito se conseguir compreender as coisas. A compreensão, por si só, já me basta e por isso não me permito desfazer amizades defendendo políticos, até porque, em nome de uma governabilidade, muitos deles se aliam. *ALTEMIR DALPIAZ é professor, mestre em Educação e escritor [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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