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ARTIGO
Sábado, 02 de Março de 2013, 12h:26

RENATO DE PAIVA PEREIRA

O dinheiro e a religião

Os ateus temos mania de escrever sobre religião. Dizem que é uma forma de nos convencer da própria descrença. Pode ser. Também os religiosos escrevem muito divulgando a fé. Eles estariam se convencendo dela? Se a observação vale pra um, também deverá servir pra outro. Pau que bate em Chico, bate em Francisco. No final falarei por que escrevemos. As 3 principais religiões monoteístas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo) nasceram no mesmo lugar e tem origem nos cinco primeiros livros atribuídos a Moisés, o Pentateuco. Não aconselho a leitura. Pode escandalizar aos mais sensíveis. Mas, se quiserem correr o risco é só pegar qualquer Bíblia e ler os livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Pois saibam, caros leitores, que essa ganância monetária que vemos todos os dias dos líderes religiosos, arrancando dinheiro dos fiéis tem boa sustentação no Pentateuco. Baseando-se nele dá pra justificar o esforço arrecadatório. Lá, entre os Hebreus, ou Judeus, como queiram, havia a tribo dos Levitas. Eram encarregados na manutenção da Arca Sagrada, símbolo da aliança entre Deus e esse povo “escolhido”. A tribo dos Levitas vivia das doações exigidas dos demais e não tinha obrigação com o trabalho nem com as batalhas de conquista ou defesa. Como era muito difícil tomar dinheiro das pessoas, principalmente de judeus, inigualáveis na arte de fazer fortuna, eles criaram uma série de rituais que obrigavam os membros de todas as tribos a trazerem ofertas para os sacerdotes. No caso os Levitas. Assim para remissão de cada “pecado” ou transgressão estava estipulada uma “oferta”. As faltas menos graves poderiam ser perdoadas com uma porção de farinha, outras com um cabrito tenro, algumas com um cordeiro gordo. Conforme a gravidade aumentava o valor da oferta a ser entregue. Lembro aqui para os que queiram consultar o livro sagrado e sejam protetores dos animais, que quase todas as ofertas exigiam o sacrifício deles(os animais). Era sangue pra todo lado. Havia tantos “pecados” a compensar e era tamanha a criatividade para arrecadar dos Levitas que não tenho como relatá-las neste espaço. Aos menos sensíveis que tenham alguma curiosidade histórica ou religiosa sugiro a leitura dos livros Levítico e Números, que fazem parte do citado Pentateuco. Já na era cristã a Igreja modernizou o processo. Agora já não era suficiente receber pela remissão do pecado. Ela passou a vender o perdão para as futuras transgressões. Foi um período maravilhoso para as finanças do clero. Melhorou um pouco porque não exigia mais sangue dos animais, que nada tinham a ver com o pecado dos homens. Tantos séculos depois dos Levitas, das comunidades Cristãs originais e da igreja Católica primitiva, que representava todo o cristianismo no mundo, pouca coisa mudou. O furor arrecadatório mantém-se vigoroso. As antigas ameaças de castigo do Senhor para quem não trouxesse a oferta transformaram-se em promessas. Agora o fiel deve doar com alegria e aguardar a recompensa, que não tardará. Conforme lhe garante os líderes. Eles são os Levitas de hoje. Pastores, Bispos e Padres disputam pau a pau quem toma mais dinheiro do povo sofrido. Perderam totalmente a vergonha. Prometem bênçãos, prosperidade e curas em troca das ofertas e dízimos. Metaforicamente tiram o sangue dos das ovelhas ingênuas. Será que é possível concluir que os religiosos modernos não são piores que os Levitas do passado? Ou que na religião como na política, hoje, ontem e sempre um grupo se apropria do comando e não há como nos livrarmos deles? Terminou o espaço e não disse o que nos motiva a escrever. Fica pra próxima. É um bom gancho pra voltar ao mesmo assunto. *RENATO DE PAIVA PEREIRA - empresário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16963




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