Na última quinta-feira publiquei na página ao lado um artigo do Dr. Gabriel Novis Neves, uma obra-prima de simplicidade, obviedade e de amor a esta terra. Com a precisão de um cirurgião, em poucas linhas este médico que há mais de quatro décadas cuida de corpo e mentes de nós cuiabanos, descreveu a importância da palavra aqui. Que no caso, este aqui é Cuiabá. Com o seu bom humor, tão peculiar, e sua ironia, sempre muito refinada, desfilou algumas pérolas que merecem alguma reflexão. Por exemplo: As pessoas adoram perguntar, mas na guerra da sobrevivência eu não tinha tempo para apreciar as delícias das indagações. De fato, a correria do mundo moderno nos faz deixar de apreciar muitas coisas, como uma simples pergunta. Outra: O mundo de tão achatado pela globalização ficou plano e, caminhando por este estadão, encontramos de tudo que procuramos lá fora. Realmente o mundo globalizado trouxe uma nova dimensão tão bem traduzida por este cuiabano. Em seu artigo ele descreve que a resposta que mais anda dando atualmente é aqui, por isso vai passar a carregar um cartão com a palavra: aqui. Pois é aqui, em Cuiabá, é que ele quer e gosta de estar. É aqui que ele é um privilegiado observador deste espetáculo, no qual todos nós somos atores e que chamamos de vida. Gabriel Novis Neves é um dos personagens mais interessantes de nossa cidade, para os que aqui nasceram dispensa apresentação. Já os que para cá vieram que hoje parece ser a maioria trata-se de um homem, que quando jovem, teve que deixar a sua amada Cuiabá para estudar no Rio de Janeiro. Na cidade grande, além do título de doutor ganhou o coração e uma companheira de sangue nobre. Retornou para sua Cuiabá, onde nasceram seus três filhos e onde, na década de 1970, ele ergueu sua usina de idéias, que hoje nós conhecemos como Universidade Federal de Mato Grosso. O aqui do Dr. Gabriel não é uma falta de opção. Pelo contrário, é uma escolha consciente da qual eu compartilho. Também, às vezes, sou chamado de chato por gostar tanto de ficar aqui, nesta calorenta e calorosa terra. Não consigo me ver em outro lugar, é aqui que me realizo, é aqui que aproveito a vida, é aqui que encaro as minhas alegrias e tristezas. Pelo jeito, com tantos aquis, vou ter que pedir emprestado o cartão do Dr. Gabriel. GUSTAVO OLIVEIRA é diretor de Redação do Diário e escreve hoje neste espaço
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