O jornalista em Mato Grosso enfrenta sérias dificuldades em todos os aspectos. Além de todos os problemas salariais, da falta de estrutura dos veículos de comunicação e do pouco interesse dos detentores desses veículos em melhorar tudo isso, enfrentamos alguns problemas causados por um tipo especial de colegas de profissão: o assessor de imprensa superprotetor. Esse profissional, que deveria ser o canal entre empresas e figuras públicas com a imprensa, acaba por, em diversas ocasiões, se transformando em um muro entre essas duas partes. Esse tipo de atitude costuma acontecer, principalmente, quando o assessorado é uma figura que está envolvida em algum tipo de escândalo. Pode ser o alvo das denúncias, ou simplesmente citado por um dos denunciados, qualquer uma das situações é o suficiente para alguns assessores darem pulos e bolarem formas de blindar o cliente. Eis que na ânsia de proteger os assessorados de qualquer publicação que possa ser ofensiva, tais assessores simplesmente impedem o contato do seu cliente com jornalistas. Contudo, acabam com a única chance do assessorado se defender de acusações públicas. Ser parte de investigações, inquéritos ou processos não é um crime. Até o fim de tudo, até uma decisão de mérito ser proferida pela Justiça, nenhuma dessas acusações significa que alguém seja culpado. Todos têm o direito ao contraditório, à defesa. Entretanto, muitas dessas figuras públicas envolvidas em escândalos acabam tolhidas da oportunidade de apresentar sua versão dos fatos justamente por conta de seu assessor de imprensa. E não adianta o assessor ser grosseiro, gritar ou tentar intimidar os jornalistas que possuem material contra o assessorado. Assessor que já trabalhou em redação sabe como um repórter pode ser teimoso e não medir as consequências contra si mesmo na hora de publicar uma matéria. E também não adianta marcar uma coletiva de imprensa ou emitir uma nota oficial após uma chuva de matérias dando voz aos acusadores. O argumento da acusação já estará tão bem construído no consciente dos expectadores da notícia, que uma matéria não vai conseguir reverter a situação. As pessoas já estarão habituadas a enxergar o acusado como a parte errada da história. No fim das contas, aquele que foi contratado para zelar da imagem de alguém e auxiliar este alguém no trato com a imprensa acaba por causar ainda mais problemas. Pensando bem, cada assessorado escolhe quem é seu assessor. Cabe a ele avaliar o serviço que lhe é prestado, ou estudar os trabalhos anteriores do assessor em questão. JARDEL PATRICIO é repórter