ARTIGO
Segunda-feira, 07 de Outubro de 2013, 20h:16
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THIAGO ANDRADE
Nova Cuiabá
É bem provável que hoje vamos ouvir mais blablablá sobre as obras da Copa. Como cuiabano, o sentimento que tenho é de desilusão. Lembro-me bem daquele dia 31 de maio de 2009. Como muito dos meus conterrâneos, também acompanhei o anúncio na Praça 8 de Abril. Na ocasião as autoridades anunciaram uma nova Cuiabá. Estávamos em 2009, ou seja: tínhamos mais de cinco anos para construir a nova Cuiabá, tão prometida naquele momento. A oito meses da Copa, pouca coisa foi efetivamente feita. Constantemente, nos deparamos com problemas na execução das obras: ora o material não é o contratado, é empresa que desiste do contrato, problemas com os trabalhadores e até erros grotescos. Geralmente podemos concluir que são problemas de gestão, de falta de acompanhamento. Por exemplo, se a pavimentação de dois viadutos fosse acompanhada de perto durante a execução se encontraria o problema, mas não, o governo dorme e depois de pronto descobre o erro e manda fazer de novo. Enquanto isso, o tempo passa! Outro problema é o das cadeiras. Temos outros 12 estádios que fizeram aquisição de assentos. Custava o governo conhecer o que foi adquirido pelas outras arenas? Preferiram deixar a imprensa descobrir a discrepância entre os preços. Isso sem contar que ainda tentaram mostrar que estava tudo bem. Afinal, o que são R$ 10 milhões para Mato Grosso? É muita coisa para um Estado em que os professores estão em greve há quase 60 dias. No início do ano a população e a imprensa clamavam por pressa nas obras da Copa; na defensiva o governo dizia que estava andando em um ótimo ritmo, já que o período é de chuva. Pois bem, as chuvas passaram, veio a seca tão conhecida dos cuiabanos, e com ela novamente a esperança de que a nova Cuiabá seria construída a passos largos. No entanto, isso não aconteceu! Todos os dias passo ao lado do viaduto da UFMT, obra prometida para o dia 31 de agosto, depois para setembro e agora dizem que deste mês não passa. Todas as outras são tratadas da mesma maneira. Se bem que o VLT parece ser a história do trem que esperamos desde 1852. Fico indignado quando vejo e/ou leio uma entrevista dos responsáveis pela execução das obras. A impressão é a de que vivemos a história de Alice no País das Maravilhas. Está tudo bem, tudo normal, as obras sairão quando ficarem prontas, foi uma das últimas frases ditas. Só espero que nossos gestores tenham mais responsabilidade com essas obras, que falem a verdade para o povo. Mas que não frustrem o sonho dos cuiabanos! THIAGO ANDRADE é repórter