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ARTIGO
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011, 18h:38

PAULO ZAVIASKY

Nasce um jornal

Estávamos em 1968. Ano bom e cheio de boas surpresas. Nossa capital se preparava para comemorar seus 250 anos no ano seguinte. Acompanhei passos de dois grandes colegas dos bons, radialistas e jornalistas da Rádio A Voz d’Oeste, Adelino Perueiro e Alves de Oliveira. Praticávamos a ginástica do Rádio cuiabano que dava inveja a grandes emissoras do país, 24 horas no ar, antes de se tornarem viveiros, hoje, das gritarias do “desafasta desse corpo que ele não te pertence”. Enchíamos a boca para, naqueles anos, nos microfones mais famosos do centro oeste brasileiro, expressarmos: “... Emissora com mais de meio século a serviço do povo”! E o Alves, com o seu famoso programa “Crônica das Doze e Cinco” mexia com a cidade verde enfocando em seus comentários, a sociedade, a política, a gente do povo, enfim tudo. Foi num desses comentários que ele usou a frase “a cidade vive dos que vivem nela” e que morro de rir quando vejo aventureiros de hoje idênticos aos que roubavam nossas namoradinhas mais bonitas ontem, apenas porque eles eram melhores em tudo, fisicamente, dizerem, erradamente, sem perceberem, “a cidade vive dos que vivem dela”... “Dela”! E eu, convidado pela garota Antonieta Ries Coelho, hoje desfrutando sua merecida aposentadoria em Coxim (MS), sua terra natal, para o mundo eclesiástico da implantação da TV nesta capital. Citei a primeira pessoa do singular para patentear de cátedra, que sou testemunha ocular da história em que todos nós, principalmente Antonieta, fizemos aquela ginástica enorme para adquirir os passes do Adelino Praeiro e do Alves de Oliveira para a TV Centro América. O objetivo era que o telejornalismo da TV Centro América alcançasse, naquele pioneirismo de 1969, o mesmo sucesso do nosso radiojornalismo onde Adelino, Alves e eu, nos “Matutino H-3”, “Correspondente Cruzeiro do Sul”, de hora em hora, e o "Grande Jornal falado H-3”, fizemos história da qual me orgulho. Acrescento outros grandes heróis de primeira grandeza como meu inesquecível e grande amigo Rabello Leite que apresentava o programa “Caleidoscópio Feminino” e o urro da época que era o “Domingo Festivo na Cidade Verde” onde, no auditório lotado do Colégio Estadual de Mato Grosso, ele me apresentou ao público pela primeira vez em 1955, para as mensagens comerciais. O super-herói Eugênio de Carvalho que sempre estava conosco nessa época de ouro do Rádio cuiabano, as famosas décadas de 50 e 60, tem um vozeirão de gente grande. E, aqueles que surgiram depois com garbo e competência como meus grandes amigos Evaldo de Barros e o saudoso Gilson de Barros, que honraram, também, os grandes nomes que concretizaram os alicerces do verdadeiro Rádio cuiabano. Num dia de Natal, 25 de dezembro de 1968, Cuiabá amanheceu com uma linda surpresa. Exposto nas bancas, pois não havia, ainda, supermercados e shoppings, lá estava o primeiro número do jornal “Diário de Cuiabᔠcom o que Alves de Oliveira sempre sonhou e o fez nascer com a ajuda de competentes heróis de verdade, no jornalismo e na gráfica. E tinha o nome de Cuiabá em seu título. E era daqui, feito por ele, gente daqui. Lembro-me muito bem da notícia de peito estufado que li na TV Centro América sobre tal lançamento onde disse que tal fato/lançamento se igualava aos preparativos solenes da festa do ano que chegava que seria dos 250 anos de Cuiabá que deixou na história um marco significativo de emoção, orgulho e muita alegria de nosso povo que vivia nela e nunca “dela”, como muitos afirmam por aí. Nascera o Diário de Cuiabá, expressão máxima do jornalismo cuiabano. Adelino e Alves, coadjuvados por grandes jornalistas desta terra que historiadores de competência já registraram e outros bons de verdade ainda deverão fazê-lo, solidificaram um sonho que se tornou realidade. Todos sabem agora que o Diário de Cuiabá foi sonhado e elaborado quase secretamente, por isso, tive que registrar um pouco da História do Rádio para exaltar o excelente laboratório em que Adelino e Alves elaboraram tão grato presente a nosso povo com a experiência divina que possuíam: o jornal Diário de Cuiabá. * PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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