NA HORA
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ARTIGO
Terça-feira, 31 de Agosto de 2010, 20h:05

JOANICE DE DEUS

Nas asas do vento

Em passos rápidos e muitas vezes leves e silenciosos, o vento me leva até meu destino sem que eu que tenha poderes para mudá-lo. É como se cartas de tarô divididas em três sob a mesa de uma cigana desconhecida tivesse traçado o futuro e nada que eu faça, tente ou deseje poderá alterar. Está escrito e assim será! Impossível mudar a direção do vento. A única possibilidade é sentir a intensidade com que passa a brisa e descobrir que viver é tão fascinante quanto assustador. Abrir os olhos ao amanhecer e acreditar que temos mais 24 horas para fazer tudo diferente ou exatamente igual. Invariavelmente a vida nos proporciona momentos extraordinariamente belos e interessantes que faríamos tudo de novo e se pudéssemos faríamos o tempo parar. Impossível. O mundo gira e, freqüentemente, o destino também nos faz deparar com redemoinhos e que impetuosamente alteram os nossos caminhos. A vida que parecia estrategicamente decidida como num jogo de xadrez se torna um grande desafio e na ânsia de vencer todos os obstáculos deixamos de aproveitar as coisas boas trazidas pelo vento, de enxergar a vida com a mesma intensidade que o sol brilha todas as manhãs e sem a mesma magia interior que as crianças têm no olhar. Por vezes, lembro-me de quando subia o pé de mangueira e sentia como se estivesse escalando a montanha mais alta do mundo. Do topo da árvore, se podia experimentar a leve sensação do vento acariciando o rosto e balançando os cabelos. Não havia medo e pouco importava o tempo, muito menos preocupação com o que a vida me reservava. São esses dias indescritivelmente bem-aventurados que, espero, terem selado meu destino. Se não posso mudar a direção com que move os moinhos que pelo menos a vida me traga dias tão apaixonantes e inesquecíveis de quando eu era criança. Isso, mesmo que muitas vezes me encontre perdida e trilhe caminhos que nunca desejei ou imaginei. E se o futuro a Deus pertence, então, nada pode mudar! Que seja como se eu estivesse dentro de um ônibus ou de um avião e a única certeza é o local de destino. O que acontecerá pelo trajeto é uma grande incógnita. Jogo-me nas asas do vento. Que ele continue sendo generoso e carinhoso comigo. Que me leve por lugares bonitos e para perto de pessoas desapegadas de qualquer tipo de crueldade ou maldade! JOANICE DE DEUS é repórter

Edição EDIÇÃO 16967




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