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ARTIGO
Segunda-feira, 09 de Junho de 2008, 20h:41

Motivar é o segredo

ADILSON ROSA
Há certas situações no Brasil que todo sabe da existência delas, persistem e duram muito tempo, embora nem sempre sejam comprovados. Ou seja, fica a informalidade, mas também não há necessidade de dados oficiais. É o que ocorreu recentemente com uma pesquisa que aponta que 83% dos professores das escolas públicas estão insatisfeitos com o salário. Nem precisava de pesquisa. Eu ainda considero esse número baixo, pois, na verdade, a insatisfação entre os professores é muito superior a esse patamar. A insatisfação com o salário baixo não é privilégio do magistério. Nenhuma categoria – pública ou privada - com salário incompatível com as responsabilidades que tem fica contente com isso, acaba produzindo pouco, não tem motivação e costuma enumerar um cabedal imenso de desculpas. O resultado final será sempre um verdadeiro desastre – serviço público de péssima qualidade. E isso desde o descobrimento do Brasil. No caso dos professores, isso ocorre há séculos e séculos. Claro que se intensificou, a partir da estabilidade da moeda, período em que o trabalhador pôde garantir um reajuste real, sabendo quanto realmente ganha – sem essa comparação com o dólar, até porque o dólar está desvalorizado perante ao real. A pesquisa joga na lata de lixo a idéia de que o salário não influencia na qualidade de ensino. Se quase nove entre 10 professores estão insatisfeitos – que significa, em outras palavras, desmotivados, sem vontade, sem perspectivas de avanço – como é que isso não é relevante? Só mesmo na cabeça de quem não ganha salário de professor. Claro, não é no bolso dele que pesa. O interessante é que mesmo com menos de 10% de professores motivados conseguiram dar qualidade em educação. Imagina então, se o governo priorizasse o ensino. Seria uma revolução. Pagar um salário digno é mais do que obrigação do governo para priorizar a educação. Não adianta fazer investimentos bilionários, elaborar programas mirabolantes, criar cursos de capacitação, se o principal ator estiver desmotivado. Ele é profissional até certo ponto. Até um certo limite. A partir daí, não se pode esperar muito. Engraçado que nossas autoridades sabem disso e não tomam uma providência. E não é porque não têm recursos. É porque falta vontade política. O atual governo federal poderia investir no ensino de base, mas criou 11 novas universidades federais – que ainda não saíram do papel – nas quais quem estudará são adultos. Lembrando que crianças não votam. Até quando vamos conviver com essa situação? ADILSON ROSA é jornalista

Edição EDIÇÃO 16962




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