Soube de algo estranho. Fantasiam que as oposições ao presidente Lula chegaram ao extremo na construção de escândalos que poderiam ser conduzidas pelos mesmos fabricantes do Mensalão, Cartão Corporativo, Caixa Dois, Sanguessugas. Como as oposições ao presidente foram eficientes no primeiro tempo desse jogo sujo contra a pátria e o povo que sempre são os mais atingidos, os mesmos feiticeiros tentam marcar outro pênalti contra o Brasil. Teriam comprado juízes, bandeirinhas, jogadores e até narradores de televisão para que esta olimpíada seja a mais vergonhosa dos últimos tempos apenas para ser um dos temas desta campanha eleitoral. Acho até que deveria haver proibição de eleições durante olimpíadas ou copa do mundo, porque o povo daqui, nunca o Brasil, é fanático demais a ponto de se esquecer de pátria, cidadania, democracia, direitos, quando o objetivo é um time de futebol, melhor dizendo, seu/meu time. Aprofundo. Quando fui presidente do Tribunal de Justiça Desportiva em Mato Grosso, TJD-MT, assustei-me com essa experiência. As gavetas daquele sistema eram de papel podre. A estrutura merecia cadeia. Em todos os grandes jogos, os bastidores já sabiam quem venceria. E esse negócio de o povo ficar falando que juiz é desonesto, jogadores combinados para perder, dirigentes que se vendem para pagar dívidas de jogos, bandeirinhas comprados, goleiros vendidos, defesa combinada para promover pênaltis segurando a bola com as mãos sem querer e dinheiro, muito dinheiro de políticos e de governos canalizados para resultados no campo desse circo do povo é pura verdade. Por isso, essa distância do povo bom dos estádios de nossa pátria. Ninguém mais agüenta ver dirigente de carro novo após um inexplicável resultado de jogo. Piscina nova, jogador vendido a um time mais grande e mercenários safados como um tal de rufalfinho-gaúcho ou um técnico como o do Fluminense no ano de 1617 que afundou o time e saiu com tanto dinheiro lá do Rio de meus amores que até viajou junto a nau de Pedro Álvares Cabral quando este retornou a Portugal, numa turnê pela Europa. Mas, as propostas sempre foram e o são sutis e sem impressão digital. Como eu, estando presidente do TJD-MT poderia inventar algo como, por exemplo, me ofertaram um carro novo somente para engavetar um processo que poderia suspender um jogador do Mixto na decisão final? No último jogo? Ou um terreno na perimetral Miguel Sutil caso conseguisse punir com suspensão no jogo principal decisório, um jogador punido por juiz, do Operário de Várzea Grande?!... Naquele tempo, árbitro de futebol ainda se denominava Juiz. Mudaram para árbitro. Dizem que os juízes de Direito não gostavam das falcatruas desses manipuladores daquele futebol, porém já ouvi algo exatamente o contrário disso aí... Foi o tempo em que ser chamado de bobó-lelé ou idiota pela família, por nunca entrar nessa máfia desonesta, era maravilhoso. Naquele Tribunal de Justiça Desportiva em MT, eu, Oswaldo Meier, Domingos Monteiro e quantos outros puderam, sempre, colocar a cabeça nos travesseiros... Sem conseguir dormir pelas dívidas nos bancos e no comércio. Mas, com honra. Não falo pelos outros, mas fico pensando, será que se fosse hoje, com o que acontece ao lado da gente, eu continuaria com essa vocação sacerdotal em ser pastor evangélico no Brasil ou sonho em ser o Papa? Assim como por aqui essas formiguinhas das oposições ficam pregando cartazes em locais proibidos apenas para ver o outro lado punido ou colocar cartazes de outro político, do outro lado, num veículo, e sair ziguezagueando e atropelando pessoas e carros, só para a culpa recair do lado de lá, o Lula também está amargando o próprio remédio que ele tanto ensinou em sua universidade sindical que é jogar sempre a culpa do quadrado da Terra no rei. * PAULO ZAVIASKY é jornalista. Está em seu Blog no 24horasnews e comenta na Rádio Natureza de Chapada(MT) e emissoras autorizadas
[email protected]