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ARTIGO
Segunda-feira, 08 de Junho de 2015, 21h:15

EVALDO DE BARROS

Moacir Costa e Silva

No concorrido velório do saudoso Sinjão Capilé, sociólogo, jornalista, homem público e seresteiro de inegável valor, comentei com alguns amigos o silêncio que cercou a partida de outro grande homem: o pranteado Moacir da Costa e Silva. A exemplo de Capilé com os seus 99 anos de idade bem vividos, Moacir também viveu intensamente as suas 87 primaveras. Queixava-me, na oportunidade, do quanto fiquei sentido em não ter levado a minha solidariedade aos familiares do amigo Moacir. Disse mais à roda, que concordava comigo, que nem ao menos fiquei sabendo do local de realização da sua missa de 7º dia, pois nós, cuiabanos, fazemos questão de assisti-la quando não comparecemos ao sepultamento. Para a minha surpresa e alegria – perdoem-me o vocábulo alegria aqui empregado, mas era o único apropriado para definir minha satisfação – a dra. Arinda Ferraz deu-nos a notícia: “a missa de 7º dia foi maravilhosa, a igreja literalmente lotada e os rasqueados cuiabanos foram entoados em cânticos sucessivos lembrando a figura alegre que era o tio Moacir.” Fiquei deveras feliz com o anúncio. Pensava que o historiador Estevão de Mendonça estivesse certo quando sentenciou com algum tipo de tédio: “morre para sempre quem morre em Cuiabá.” Na verdade não conseguia entender o silêncio aparente da cuiabania por ocasião do passamento do Moacir Costa e Silva. Foi, portanto, uma agradabilíssima surpresa tomar conhecimento da missa festiva por ocasião do 7º dia de seu falecimento. Reli agora o livro A cidade vive dos que vivem e viveram nela e nele à página 170, quando indagado a respeito do seu saudosismo disse-me Moacir: “Olha, Evaldo, tradição e progresso não andam de braços dados. Defendo que nós temos que renovar sem pisar no nosso passado. Precisamos adotar um lema: tradição que se renova sem impedir o progresso. Veja o exemplo de Buenos Aires. A capital argentina mantém o bairro do Caminito sem nenhum engessamento à modernidade em seu derredor. A engenharia e a arquitetura de hoje tem meios para conciliar situações urbanísticas. Basta que se tenha vontade política e respeito pela história”. Festeiro como só ele, sobretudo um carnavalesco que animava os nossos salões, Moacir Costa e Silva foi bancário metade da vida e poeta satírico a vida inteira. É dele esta quadra que marcou época no governo Fragelli. “De braços cruzados / De papo pro ar / Se o Pedro fez tudo / Pra que trabalhar...?” Compadre do saudoso José Rabelo Leite e de Gilda, Moacir Costa e Silva confessava duas predileções: era filintista e garciista, isto é, ardoroso admirador do general e senador Filinto Müller e do ex-governador engº. José Garcia Neto. Acho que fazendo este aligeirado comentário presto uma merecida homenagem ao grande cuiabano roxo Moacir Costa e Silva e registro que ele recebeu as justas homenagens do nosso povo. Queira Deus que os seus filhos Mário Márcio, Maria Auxiliadora e Márcia Maria continuem na trajetória de vida sinalizada pelo inesquecível Moacir. * EVALDO DE BARROS é jornalista e advogado

Edição EDIÇÃO 16967




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