2011 na margem esquerda de um papel nem sempre reciclado. 2011 na estrofe de um verso inacabado. 2011 no delta luminoso da cidadania mundial. 2011 no paralelo de um planeta em convulsão mais que social. 2011 de malas prontas para mais uma viagem sideral. 2011 além das badaladas de uma torre erguida numa ilha imperial. 2011 das promessas de fraternidade sem qualquer minuto prorrogado. 2011 das conquistas de uma mesma humanidade sem as trincheiras de um campo minado. 2011 além das alianças de um casamento da realeza inglesa. 2011 além das histórias de mais de uma princesa coroada. 2011 na profundeza de uma riqueza mineral explorada em descontentamento. 2011 na máquina pública ostentada aquém e além de um parlamento vergonhosamente remunerado. 2011 nas fatias de um bolo confeitado com cereja colorida artificialmente. 2011 nos municípios deserdados por mais de um decreto presidencial. 2011 nos Estados Federados até então ignorados pelo poder central. 2011 das desavenças institucionais perpetuadas de pleito em pleito eleitoral. 2011 dos sambas enredos reeditados de carnaval em carnaval. 2011 do ducado continuado no mesmo brasão deveras republicano. 2011 do condado em nada provinciano. 2011 do bom-bocado servido em mais de uma festa em nada infantil. 2011 do café pingado requentado no bule chamado Brasil. 2011 da buchada de bode mais que baiana. 2011 da carne de sol com banana ora verde amarela, ora marrom madura. 2011 da ameaça velada pela volta em nada silenciosa da censura. 2011 de uma nova década continuada de impacto em impacto ambiental. 2011 de uma nova clareira aberta na floresta tropical. 2011 de uma nova integração regional estabelecida de via em via fluvial navegável e navegada. 2011 de uma novela gravada além do Distrito Federal. 2011 de mais de uma favela parcialmente desocupada pela força armada mais que operacional. 2011 da sentinela civil e militar de plantão em tempo integral. 2011 da vigilância sanitária aquém e além dos cofres públicos arrombados pela corrupção registrada em anais. 2011 de uma pátria ciente em deveres constitucionais. 2011 de um país abrangente em direitos fundamentais. 2011 de uma novel literatura. 2011 de um novelo enrolado em fios tecidos numa mesma cultura mais que ministerial. 2011 de uma fome saciada além de um programa governamental. 2011 de uma criança alfabetizada aquém e além do funcional. 2011 de um infante matriculado aquém e além do ensino fundamental. 2011 de uma universidade iniciada aquém e além da cota racial. 2011 de um exame nacional sem o vexame da incompetência educacional revelada em provão anual. 2011 de um enfermo com leito disponível em mais de um hospital. 2011 da primeira presidente do Brasil eleita em nome da igualdade. 2011 da paz em nome da humanidade. 2011 do progresso em nome da ordem escrita com justiça plena e total liberdade. MMXI: Assim seja! *AIRTON REIS é poeta em Cuiabá
[email protected]