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ARTIGO
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009, 20h:54

HAROLDO ARRUDA JUNIOR

Mirem-se no exemplo da Finlândia

Realmente a Finlândia, apesar de ser um país minúsculo quando comparado com o Brasil, é um país rico e esta riqueza você encontra por toda parte. Há vinte dias enviados pela Fundação Rotária Internacional, o grupo IGE de intercâmbio de estudos internacionais, quando formado ainda em 2008, tinha uma missão que objetivava muito mais do que conhecer outro país, sobretudo achar uma resposta para os problemas que insistem em permanecer em um país tão rico quanto a Finlândia, a saber, o Brasil. De um lado temos a Finlândia um país atualmente considerado como uma referência mundial em educação, saúde, segurança, transporte, etc e do outro lado o Brasil que, apesar do esforço de inúmeros governos, continua “patinando” em questões públicas. Ambos são países ricos, o problema é que são riquezas diferentes, pois, enquanto o Brasil tem riqueza de produtos e problemas a Finlândia tem riqueza de educação e solução. A atmosfera da Finlândia é fria e pobre de corrupção e “jeitinhos” na busca de solução para problemas públicos. O calor desta mesma atmosfera não fica fora do mundo, mas dentro do ser humano, rica em educação, cultura e respeito. O povo finlandês não é tímido, cheio de vergonha, como todos afirmavam ser, mas é, sobretudo rígido, responsável, humanista, e solidário. Se alguém tem que ter vergonha somos nós, no Brasil, que não conseguimos vencer a corrupção e os problemas com a saúde, a educação, etc. O Brasil precisa de mais caráter e menos leis. Precisa de mais solidariedade e menos vantagens. Somos brasileiros que amamos o nosso país e sentimos isso quando estamos longe dele. Esta saudade sempre foi carregada de paixão, amor, e fundamentalmente esperança. Não perdemos absolutamente em nada para a Finlândia, o problema é que ainda não damos o valor necessário para a educação em nosso país. Um país com uma educação de qualidade resolve todos ou quase todos os seus problemas públicos e a prova viva disso é a Finlândia que, após duras guerras com a Rússia, conquistou sua independência com o compromisso de tornar-se referência para o mundo, investindo em educação e hoje orgulha-se em ter cem por cento do seu futuro, as crianças, freqüentando uma escola de qualidade com professores mestres desde o ensino básico. O conceito para uma educação de qualidade vai além da questão de melhores salários para os professores. Altos salários não justificam e nunca irão apontar grandes profissionais, mas sim pessoas certas nos lugares certos. Uma carteira em uma sala de aula na Finlândia tem uma durabilidade de até 30 anos e isso não é uma questão do acaso e sim uma questão de educação. As crianças são educadas para um mundo onde o que prevalece é a ética, o caráter e, sobretudo o respeito mútuo. Apesar de ser um povo religioso com algumas igrejas ortodoxas e muito mais do que tirar os sapatos para entrar em casa ou fazer sauna três vezes por semana, o finlandês tem vergonha de chegar atrasado em seus compromissos, é rígido com o tempo, pois acredita no tempo útil, no tempo que pode prover mudanças, construir cidadãos e assim moldar o futuro. Para o futuro, que sejamos mais inteligentes e menos “espertos”. A Finlândia pode ser tudo aquilo que pensávamos ser, a saber, um país frio e tímido. Somos muito mais que a Finlândia, somos brasileiros que amam o futebol, adoramos nossa cultura e sonhamos com um futuro melhor. Vamos criar uma atmosfera de solidariedade em nosso país. Vamos provar para o mundo que somos muito mais do que samba e futebol, somos brasileiros e temos orgulho de nosso país, não pelo gol de placa do Ronaldo no final de semana, mas pelo caráter de nosso povo e pela ética de nossos governantes. * HAROLDO ARRUDA JUNIOR é Professor Mestre em Filosofia da UFMT

Edição EDIÇÃO 16967




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