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ARTIGO
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014, 20h:21

EDUARDO PÓVOAS

Meus casos de amor

Cada um durante a vida teve, tem ou terá um caso de amor segundo a crendice popular. Em meados de 2010, recebo um telefonema do meu caseiro dizendo que lá no sítio passou “um pé de vento” que derrubou tudo que estava na sua frente. Procurei ir o mais rápido possível para o local, pois tenho por esses palmos de terra um amor indescritível. Adoro o local, a mata, o clima, enfim, tudo que lá existe, principalmente os pássaros que me proporcionam momentos de levitação. Ao chegar, vi uma devastação inacreditável, que fui aconselhado por um amigo a fazer um BO na FEMA para resguardar-me de prováveis futuras sanções penais. Foi uma tristeza sem fim quando deparei com piúvas, angico, aroeiras e outras espécies de arvores tombadas pelo efeito da ventania. Mal sabia eu que o pior estava por vir. Quando no pomar cheguei, deparo com minha jabuticabeira mor a quase cinco metros do seu local original. O caseiro sem titubear me propõe pegar a moto serra para corta-la. Claro que refutei imediatamente sua proposta. Pegamos um pedaço de pau, colocamos entre ela e a terra e após aumentarmos sua cova, puxamos com trator para seu local original. Fizemos alguns reforços na lateral com medo de nova ventania coloca-la no chão. Foi um sucesso a “operação salva arvore”! Aos finais de semana, debaixo dela e sozinho, “conversamos” e fazemos confidencias impublicáveis ao som do gorjeio de João Pinto e outros pássaros maravilhosos. Ainda bem que não há outra pessoa a nos “ouvir”, pois se tivesse, nossos leitos no Adauto Botelho estariam reservados. Hoje frondosa parece me agradecer pela atitude que tomei, impedindo que se transformasse em lenha. Linda e maravilhosa começa a florir e já já, estará carregadíssima de deliciosos frutos. Este foi meu primeiro caso de amor. Depois desse tive mais três. Três que converso com eles e escuto suas vozes. Três de carne e osso. Três preocupados em fazer que novas jabuticabeiras jamais se transformem em lenha. Três que recebi de Deus como o maior presente que um ser humano pode ter em vida. Carinhosos, educados e muito levados, fazem com que a felicidade chegue sempre pertinho de mim. Ensino-lhes e explico-lhes desde criança, a importância de se venerar toda espécie de árvore e animais. Tem pelo gatinho “Jorge” uma grande admiração, pois no sitio ele é a grande estrela. Com expectativa exacerbada, estão os três a espera dos deliciosos frutos que em breve colherão da árvore que quase virou lenha. Falo dos meus três netos, Maria Clara, Marco Antonio e Maria Luísa, seguidores e continuadores do respeito pela fauna e pela flora que inspiram seu avô. * EDUARDO PÓVOAS - Pós Graduado pela UFRJ

Edição EDIÇÃO 16964




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