ARTIGO
Quarta-feira, 09 de Novembro de 2011, 20h:12
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TÂNIA NARA MELO
Mercado humano
A pobreza, a falta de estudo e de perspectivas de uma vida melhor têm feito com que muitas mulheres, adolescentes e também crianças se tornem vítimas da exploração sexual. Algumas dessas vítimas acabam envolvidas com as redes de prostituição e de tráfico de mulheres, e se veem perdidas, em outro país, totalmente desamparadas, sem qualquer condição de voltar para casa. Ninguém desconhece a velha prática dos agenciadores das redes de tráfico: eles oferecem emprego no exterior, com bons salários e ótimas acomodações, mas que na verdade não passam de casas de prostituição que acabam fazendo das candidatas a emprego, verdadeiras escravas, sem qualquer direito ou meio de sobreviver fora dos bordéis. E as vítimas têm sempre o mesmo perfil. São mulheres e jovens que vivem na periferia das grandes cidades, que não tiveram chance de estudar algumas mal completaram o primeiro grau - e que sonham com uma vida melhor, principalmente com a oportunidade de se projetar como modelos ou dançarinas. Nada disso, é claro, representa uma novidade. Até porque o tráfico de mulheres e adolescentes é na verdade a terceira atividade mais rentável dentre as praticadas pelo crime organizado, perdendo apenas para os tráficos de drogas e de armas. Milhões de dólares são movimentados anualmente em todo o mundo, em função do tráfico de seres humanos, e há um cálculo estimado de que cerca de 4 milhões de pessoas migrem ilegalmente a cada ano, e deste total uma boa parcela é de vítimas do tráfico. No Brasil, os números são bastante significativos, num mercado que cresceu muito na última década. E a globalização, aliás, tem um papel importante nesse processo, e o exemplo é como a internet está sendo usada para explorar crianças e adolescentes, que acabam com suas fotos exploradas nos sites da web, sites esses que não necessitam de nenhuma senha especial para acessá-los. Levantamento feito pelo Ministério Público já identificou centenas de pedófilos virtuais. O Brasil, aliás, está entre os quatro países que mais consomem pornografia infantil. Apesar de todos esses fatos não representarem nada de novo no que diz respeito aos inúmeros problemas vividos por mulheres e jovens das camadas mais pobres, num país onde a falta de oportunidades predomina e a educação ainda é privilégio de poucos, há esperança de que esse quadro se reverta. Dar um basta a tudo isso, por certo não é coisa fácil. É necessária mais ação e menos discussão, pois esse mercado é como um câncer que, se não for tratado, se alastra e mata o doente. E neste caso, os doentes são nossas mulheres, crianças e adolescentes. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário