A Câmara de Vereadores de Cuiabá vem acumulando um histórico lamentável nas últimas legislaturas. Desde 1996 ela entrou em visível decadência no seu papel de legislar, de fiscalizar e de representar os interesses da sociedade de Cuiabá. As administrações públicas desde então fizeram e aconteceram com o poder legislativo da capital. Desde a mais descarada compra de vereadores, até a deslavada utilização da Câmara para legitimar administrações pobres. Não bastasse a vergonhosa compra de votos nas eleições, os dignos vereadores vêm deixando a casa caminhar em direção à lata de lixo, legislatura após legislatura. A legislatura que começou em janeiro deste ano não teria o direito de ser tão medíocre e irresponsável como a que substituiu. O episódio Ralph Leite vem demonstrar isso. Um episódio individual e isolado praticado por um jovem e despreparado vereador, contaminou a Câmara, e a casa não soube lidar com a situação. No primeiro momento, jogou o vereador no lixo sozinho. Depois absorveu a crise, sem ter um plano estratégico. Agora tem em mãos um problemão enorme para resolver. Cassa o vereador ou admite que é incapaz de lidar com uma situação de segunda linha. Qualquer vereador está sujeito a problemas pessoais. Era de se esperar que a Câmara tivesse um mínimo de competência para lidar com situações individuais. Mas se esse fosse o único problema, quem sabe a cassação do vereador resolvesse o problema. Mas não é! O problema maior é uma coleção de incoerências que começa no fato dos vereadores desconhecerem o seu papel constitucional. Não legislam e não fiscalizam a administração municipal. Se fiscalizassem o problema, que agora o prefeito Wilson Santos enfrenta com o superfaturamento nas obras do PAC, não precisaria ser denunciado pela Controladoria Geral da União. A Câmara teria tudo para detectar, denunciar ou fiscalizar. Não fez nenhuma das coisas. No fundo, espera tirar proveito disso nas votações da Casa, quando o Executivo tiver algum interesse, ou o assunto cair lá. O que seria tirar proveito? É disputar cargos, pedir aumento de orçamento, reivindicar vantagens pessoais para os nobres vereadores, para não ir mais longe... Ainda dá tempo para a atual legislatura justificar a sua existência, diferente das anteriores que só envergonharam a tradição política de Cuiabá. Pode ser que os vereadores não se recordem, mas a cidade tem 290 anos e teve dezenas de legislaturas. Há História nisso tudo. Respeitar a História é o mínimo que se pode fazer. A tradicional politicagem em vez de se legislar proativamente em favor de uma cidade complicada, cheia de problemas estruturais fundiários, viários, infra-estruturais, é o mínimo que se poderia fazer. Chega de propor nomes de ruas, de praças e de criar dias para homenagear a mediocridade repetida. A cada legislatura a Câmara de Vereadores de Cuiabá fica menor do que a importância da cidade, sem falar no pouco respeito da sociedade com a instituição legislativa. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da Revista RDM
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