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ARTIGO
Terça-feira, 26 de Junho de 2007, 20h:17

ONOFRE RIBEIRO

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (final)

Encerro esta série de três artigos motivada pelo conhecimento in loco de como o vizinho estado do Mato Grosso do Sul está lidando com as questões ambientais tanto do etanol como do restante da economia. Lá eles possuem dois complicadores ambientais: a bacia dos rios Paraguai e do rio Paraná. Do ponto de vista acadêmico eliminaram a discussão em torno do Pantanal, para localizá-la nas bacias dos dois grandes rios citados. Já Mato Grosso tem a mesma complicação e ainda lhe pesa os 51% de território amazônico, com toda a carga de pressões ambientais agravadas nos últimos dois anos. Aqui a Secretaria do Meio Ambiente licencia e o Ibama fiscaliza. São dois gigantes inimigos entre si e contaminados pelo corporativismo dos técnicos que se endeusaram diante de tanto poder. Talvez seja esta a maior complicação no território ambiental de Mato Grosso. Diante da dúvida, paralisa-se o Estado para ver como fica. Falta ação ativa ao governo. Encontro sobre energia realizado em São Paulo na semana passada mostrou em imagens de satélite o território ocupado pela cana-de-açúcar no Brasil. Em São Paulo é domínio total. No Paraná o avanço, em Minas, em Goiás e no Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso algumas pequenas manchas insignificantes. Não que seja imprescindível a ocupação do território pela cana. O que se discute hoje é a atitude do estado diante da indústria do etanol, do plantio da cana, e das cadeias produtivas conexas. Está se questionando também a atitude ambiental que precisa ser definida para todos os demais investimentos. Ou se obedece à lei existente ou se decreta uma moratória ambiental por um período definido de tempo até que se tenha um consenso seguro. O que não pode, é o Estado continuar acuado como está. A história do poliduto que o Mato Grosso do Sul persegue sai do Paraná e terminaria em Cuiabá, segundo o projeto aprovado na Petrobras. Ele representaria um facilitador na redução dos custos de combustíveis na ordem de 70% em relação aos preços atuais de R$ 120 por metro cúbico de diesel. Lá o poliduto forçou a extensão da área de cana dos atuais 170 mil hectares para a previsão de 700 mil em 2012. No encontro de São Paulo, não se ignorou a tendência de crescimento nos setores diversos da energia, e nem se negou a importância do respeito ambiental. Colocou-se que tem que haver cuidados ambientais num nível aceitável que possa ser corrigido gradualmente, pelo crescente uso de tecnologias. Aliás, energia e tecnologia são sinônimo na economia futura O segundo poliduto, que interessa a Mato Grosso seria o que sai da refinaria da Petrobrás em Paulínia (SP), passa por Ribeirão Preto, Uberaba(MG), Senador Canedo (GO) e Brasília. De Senador Canedo propõe-se que ele venha até Cuiabá, espremido entre as regiões Sul e Leste de Mato Grosso, cortando uma futura área da cana, fora das bacias pantaneiras. Uma vez que se fechem os dois polidutos, Mato Grosso terá uma entrada e saída de combustíveis das mais importantes do país, com profundos reflexos sobre toda a sua economia. Tanto para trazer e levar combustíveis quanto para a produção deles no estado. É, portanto, uma equação a se considerar agora com vistas a um futuro de no máximo cinco anos. Daí a tamanha importância de Mato Grosso preocupar-se em destravar as questões ambientais e tratá-las menos academicamente. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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