NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ARTIGO
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010, 20h:38

ENILDES CORRÊA

Mapeando a paz

Os períodos eleitorais suscitam-me algumas reflexões e análises. Voltando os olhos para um passado mais longínquo, verifica-se que na Índia Antiga, por exemplo, os reis costumavam consultar os Mestres espirituais iluminados. Tinham abertura e humildade de querer os conselhos e as bênçãos desses Seres para si mesmos e os seus reinos. Os mestres iluminados são pessoas de muita sabedoria, cuja visão é clara, límpida e ampla, o que lhes possibilita enxergar as raízes e as diversas faces de um problema, passo fundamental para a resolução de qualquer tipo de dificuldade, seja na vida pessoal, seja na vida de uma nação. O mundo mudou, as pessoas mudaram e os valores de vida se inverteram. Os governantes não procuram mais os sábios para se aconselharem. Em seu lugar, na atualidade, na esfera política, surgiram os profissionais da área de marketing político, contratados, a preço de ouro, para assessorar os políticos ou aspirantes a tal, na construção do melhor perfil de suas imagens junto ao povo, entre outras coisas. E essa é uma das doenças da nossa sociedade: a imagem passou a ter mais peso e importância do que aquilo que é real. Então, eu faço esta pergunta: se para algo tão ilusório como uma imagem, convocam-se os melhores e mais brilhantes profissionais, por que os governos não aplicam o mesmo empenho em relação à paz? Para adquirirmos uma formação estudamos anos a fio em uma instituição de ensino regular, na qual temos inúmeros professores, um para cada disciplina. Quem é expert em matemática ensina matemática e não língua portuguesa, e assim por diante. Em relação à paz, não deveríamos seguir o mesmo raciocínio e irmos em busca dos mestres da paz, para que eles compartilhem conosco a sua compreensão, visão e o seu silêncio interior? Os líderes políticos têm falado sobre o combate à violência e a construção da paz. Mas eles entendem da política da paz ou da política manipuladora? São íntimos do silêncio, da quietude ou do poder? Até que ponto estão, realmente, empenhados na edificação da paz se a própria política que fazem, geralmente, é agressiva e dominadora? Será que no nosso meio político há pessoas que conquistaram a paz de verdade, que se tornaram seres equilibrados, pacíficos, simples, amorosos, compassivos e felizes? Caso contrário, como vão conduzir uma sociedade para a paz e a harmonia se eles mesmos ainda não a encontraram em suas vidas e desconhecem os seus caminhos? Se queremos a paz em nosso planeta temos que assumir a nossa responsabilidade individual e intransferível, cidadão por cidadão, que passa pela conquista da harmonia interior, cujo passo fundamental é o autoconhecimento, seja o presidente do país, seja o lixeiro da nossa rua. Seria também de muito bom senso ter a orientação daqueles que realmente a conhecem, que são íntimos dela e se tornaram eles mesmos uma Ponte de Paz para a humanidade, como Mahatma Gandhi, Dalai Lama e outros mestres espirituais. Diante de tantos desequilíbrios e aberrações contra a vida, algo que a nossa sociedade necessita com urgência premente é de mais e mais pessoas vivendo em equilíbrio consigo mesmas, com o outro e com a natureza. O nosso planeta iria agradecer. É bom lembrar que o tempo todo estamos influenciando uns aos outros com o nosso estado emocional, mental e espiritual. Lamentavelmente, a questão da cultura da paz na sociedade não é levada a sério pelos governantes e parlamentares. É tratado como assunto de pouca ou nenhuma importância pela classe política. Os políticos até agora têm construído pontes de concreto, algumas de uma beleza majestosa, todavia, infelizmente, estas não serviram para fazer a travessia da grande massa do povo da margem da miséria para o outro lado, no qual se possa germinar as sementes de uma vida com mais amor, justiça social e dignidade. E neste instante, lembro-me de uma frase de George Bernard Shaw: “Vemos as coisas como elas são e perguntamos: ‘Por quê?’ Sonho com coisas que nunca existiram e pergunto: Por quê não?” * BENEDITA ENILDES DE CAMPOS CORRÊA, administradora e terapeuta corporal ayurveda. Prof. de yoga [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL