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ARTIGO
Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011, 19h:25

JONAS JOZINO

Jogo de cena

A privatização da água e do esgoto em Cuiabá ainda vai render muito bate-boca, jogo de cena, reclamação e, pelo jeito, muita discussão política e judicial. O jogo de cena começou terça-feira, quando os vereadores conseguiram revogar a lei que permitia a concessão da Sanecap, lei esta que está suspensa por decisão do juiz Francisco César Bassan, que anulou a sessão do dia 12 julho, acatando mandado de segurança do vereador Lúdio Cabral. Portanto, nem precisava ter sessão para anulação. Que não me venham com a história de que privatizar é melhor para a população, que o serviço vai melhorar. Que não venham com a velha balela de que a energia em Mato Grosso melhorou com a privatização da Cemat, que o sistema de telefonia fixa cresceu, se desenvolveu com a privatização. Poderia ter conquistado as mesmas melhoras e modernização sendo estatais. Melhorou, mas o preço pago também está nas alturas. Encareceu demais e pesa muito no bolso do contribuinte, que atrasou dez dias vê o serviço cortado. Minha formação política é mais para a esquerda e como tal defendo que o Estado seja plenamente responsável por serviços públicos essenciais como saúde, saneamento, água, energia, educação, segurança. Assim, sou contra a privatização da Sanecap. Como não tenho direito a voto e muito menos à condição de exigir dos nossos vereadores, fico vendo a situação triste que nós, cuiabanos, natos ou não, vivemos com a Câmara Municipal de Cuiabá, tão atrelada aos caprichos da prefeitura. O exemplo maior foi o que fizeram terça-feira ao anular a privatização da Sanecap, que já havia sido anulada por ordem judicial. Apenas e tão-somente fizeram o que o mandatário do Palácio Alencastro mandou. Foi um verdadeiro jogo de cena, como foi no dia 12 de julho, quando encenaram debates e palestras e fugiram para o plenário, e escondidos aprovaram a lei agora anulada. O pior de tudo é que esta mesma lei de privatização, com algumas pequenas mudanças engendradas pela equipe do prefeito Chico Galindo, começa a ser apreciada nesta quinta-feira. E o jogo de cena promete. Os vereadores decidiram que o projeto tem de ser apreciado em 45 dias. Portanto, vão esperar o momento mais apropriado, uma manhã qualquer para, sem aviso e sem a ameaça de ninguém, aprovarem a privatização. Não importa se a população é contra, se a água vai ficar mais cara, o esgoto vai ficar mais imundo. O que importa é atender aos anseios e exigências do Alencastro. O voto? Eleição é no ano que vem. Até lá, o povo esquece que ninguém fez nada. Será que somos assim tão esquecidos? JONAS JOZINO é editor do caderno de Esportes do Diário de Cuiabá [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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