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ARTIGO
Quarta-feira, 28 de Maio de 2008, 21h:00

ONOFRE RIBEIRO

Implosão em Várzea Grande

Sobre o artigo de ontem neste espaço a respeito do acordo do deputado estadual Maksuês Leite de abdicar da sua candidatura a prefeito de Várzea Grande, recebi uma infinidade de desdobramentos, tanto pessoalmente como por telefone e por e-mails. Poucas vezes recebi uma onda tão grande de repercussão sobre um artigo político. O deputado estadual José Riva telefonou para negar que tenha sido um dos artífices da pressão para que Maksuês desistisse da candidatura. Disse-me que apoiou a sua candidatura e deu liberdade ao diretório municipal de Várzea Grande para conduzir a campanha, com disposição "de ir até o fim". Mas o deputado Maksuês o teria procurado no sábado para comunicar sua desistência, sem consulta ao PP, alegando falta de estrutura para uma campanha pesada como espera, com poucos recursos e diante do crescimento da candidatura de Júlio Campos. "Diante disso, não me restou mais do que ser solidário com o deputado Maksuês", disse-me Riva. "Sua candidatura só a ele pertencia". Porém, o fato é que, independente de a quem pertencia a candidatura, Várzea Grande pegou fogo ontem. Estive lá para conhecer as repercussões. A primeira delas é que a população se indignou com Maksuês e com Júlio Campos pela negociação que sabidamente envolveu dinheiro e cargos. Quem levou um susto foi o prefeito Murilo Domingos, cuja candidatura à reeleição ganhou um fôlego inesperado. Ontem, era só alegria no Paço Couto Magalhães. Murilo recebia seguidas manifestações de apoio ao que está se chamando de "lambança" à desistência de Maksuês. A cidade amanheceu panfletada com críticas a Maksuês pela negociação da candidatura que estava muito bem posicionada. A crença generalizada é de que Maksuês comprometeu profundamente o futuro de sua carreira política. Contra o gesto e a negociação, jogou a rapidez da internet, que fez circular com potência inacreditável o fato, as versões e as repercussões. Em outra época isso levaria tempo suficiente para se armar uma reação. Alguma coisa muito grave aconteceu em Várzea Grande nesta semana com este fato assinalado. O deputado Walllace Guimarães, pré-candidato do DEM, derrotado por Júlio Campos em disputa interna no diretório do partido, decidiu recolher-se em silêncio, para se salvar de ser incluído no barco da negociação e se preservar também para qualquer possível nova posição na campanha. O fato é que a eleição em Várzea Grande ganhou um novo complicador, que se divide em três vertentes: abriu uma porta para Murilo Domingos à reeleição. Fez a população se indignar com a negociação Maksuês-Júlio Campos e, por fim, abriu porta para uma terceira candidatura que pode provocar um consenso lá na frente. Tempos obscuros em Várzea Grande desde a última segunda-feira. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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