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ARTIGO
Domingo, 28 de Outubro de 2012, 21h:32

ROMILDO GONÇALVES

Horário de verão de novo?

Dia 21 de outubro de 2012 começou mais um martírio para a sociedade humana brasileira, o sem-graça, sem-nexo e sem-sentido horário de verão! Embora apresentando pífio resultado econômico e muito desconforto social, o governo federal insiste em mantê-lo, com a esfarrapada justificativa de que possa economizar de 4,5% a 5% de energia elétrica em horário de pico no verão brasileiro. O pior de tudo isso é que gostando ou não, essa embromação vai continuar! Será que merecemos isso? Criado em 1784 pelo político e inventor norte-americano Benjamin Franklin, “Daylight saving time” (horário de economia com luz do dia, em tradução livre), numa época em que não existia luz elétrica, e com a ideia de economizar “cera de vela” gerada com o adiantamento do relógio em uma hora no verão, porém sem sucesso, uma vez que tal horário afetava e afeta o relógio biológico das pessoas, especialmente das pessoas mais idosas. Todavia, no Brasil a coisa pegou e perdura até os dias atuais. Uma vergonha, não? Estamos em pleno século 21, num belíssimo país tropical rico por natureza e com gigantesco potencial em recursos hídricos. No entanto, vivendo como se no período paleolítico estivéssemos. Por que isso ocorre? Certamente é por que faltam aos gestores brasileiros uma visão macro em planejamento para produção de energia limpa e sustentável. Certamente, falta aos dirigentes brasileiros uma visão holística de gestão e desenvolvimento desse gigante eternamente adormecido chamado Brasil! E nós, povo, ah!, olhamos pra lua! O mais agravante de tudo isso é que, embora sem qualquer sustentabilidade social, econômica ou ambiental, a administração pública federal não conseguiu ao longo de séculos resolver a questão da produção de energia limpa no Brasil, justificando apenas o horário de verão como fator decisivo para o período crítico. É pouco ou quer mais? Segundo, a NOS - Operador Nacional do Sistema, a previsão é de que com redução de energia elétrica no período de 21 de outubro de 2012 a 17 de fevereiro de 2013, ou seja, 119 dias de transtorno e sufoco na vida das pessoas, possa-se obter-se uma economia financeira de aproximadamente duzentos e oitenta milhões de reais. Vale a pena? Biologicamente falando, sabemos como esse período altera e afeta nossos relógios biológicos, nossos ritmos de vida e nosso cotidiano: alunos das zonas rurais pagam um preço altíssimo por causa desse enfadonho horário, com aprendizado aquém do esperado. Sinceramente, será que o país não precisa conviver com uma situação vexatória como essa que gestores públicos instem em nos impor? Poucas nações no mundo desfrutam de tantas riquezas naturais como a nossa: 20% da água doce do mundo se encontra no Brasil, sendo uma quantidade colossal. Ademais, a geração de energia por meio de hidrelétricas tem externalidades preciosíssimas. Nos reservatórios, podem-se criar peixes em grande profusão. Depois de passada pelas turbinas a água pode ser utilizada para irrigação em grandes áreas de produção agrícolas ou pequenas hortas caseiras, como queiram. Ao contrário do que se pensa, a biodiversidade do entorno das usinas pode ser melhorada depois de eventuais desequilíbrios momentâneos. O que não se justifica é a generalização de “ambientalistas meia- pataca”, segundo os quais a exploração de nossos potenciais hídricos é sinônimo de devastação da natureza. Como sabemos, o Brasil tem sólida vocação para produção de energia limpa com extraordinária topografia e os rios brasileiros têm enormes potenciais hídricos, privilégio para poucas no mundo, não? Então, por que não utilizá-los racionalmente? Vê-se que Deus foi, é, e sempre será generoso com o Brasil. Falta agora às autoridades brasileiras visualizar essa dádiva divina e construir mais hidrelétricas, especialmente as chamadas (PCHs), que são modernas, não causam grandes impactos ambientais e produzem bons resultados. Se assim pensar e agir, certamente estará evitando esse fiasco recorrente chamado horário de verão! Não é mesmo? Como citei no início deste artigo, poucas nações no mundo têm o privilégio de possuir tantas riquezas naturais. Será que realmente precisamos de horário de verão? ROMILDO GONÇALVES – biólogo, mestre em Educação e Meio Ambiente, perito ambiental em Fogo Florestal e prof./pesquisador da UFMT/Seduc [email protected]

Edição EDIÇÃO 16963




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