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ARTIGO
Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010, 20h:01

LUIZ FERNANDO CALDART

Hora de comparar

Lendo os jornais do dia 10 de agosto deparei-me com artigos dos três principais candidatos ao Governo do Estado de Mato Grosso na mesma página. Que ótima chance de comparar os discursos e proposições! Comecei pelo artigo “Reduzir desigualdade, igualar oportunidades” de Wilson Santos. Uma pérola de demagogia. Começa chamando o Vale do Araguaia de “Vale dos Esquecidos”, apelido pelo qual a região passou a ser chamada durante o Governo do PSDB, que relegou o interior a segundo plano. Wilson, sempre preocupado em jogar a culpa nos outros, sem apresentar soluções ou assumir a culpa por falhas e inoperâncias, já entrou para a história como um dos piores prefeitos que Cuiabá já teve com uma gestão pífia e problemática. Quem anda pela capital vê abandono, buracos e o lixo acumulado. Acumularam-se escândalos como os do PAC que nunca funcionou, mas gerou prejuízos grandiosos para a população cuiabana. Pior é saber que esses recursos já disponíveis se tornaram quase inalcançáveis, graças a isso tudo. Daí se dizer que Wilson não foi moldado para o executivo. Difícil crer que ele fará algo de positivo pelo Estado uma vez que não cumpriu nem a promessa feita durante sua campanha de reeleição para a Prefeitura de Cuiabá de permanecer até o fim do mandato. E o povo não perdoa certas atitudes. E tem essa tática de pregar que tudo está um caos, tudo é medo e desilusão em relação ao governo do Estado. Isso não funcionou nas eleições para presidência da república vencidas pelo PT em que até uma atriz famosa apareceu dizendo ter medo do Lula, e certamente não funcionará agora. O texto “Agora é renovar e fazer diferente” do empresário Mauro Mendes é mais leve, menos sombrio que o de Wilson. Porém não ficou claro como as propostas do artigo sairão do papel. Se vencer as eleições Mauro será um gerente, um técnico, daí as pessoas se questionarem se ele será frio, calculista e alheio ao povo. Um risco nesse discurso de gestão. A meu ver o calcanhar de Aquiles de Mauro é não conhecer de fato nosso Estado, o que expõe sua inexperiência de nunca ter sido administrador público. Em contrapartida sua capacidade como gestor privado pode colaborar para elegê-lo. Mas como Governador ele terá de lidar com o peso suas propostas, que soam como um libelo pela igualdade humana, em um artigo bom, mas pouco realista e que carece de esclarecimentos, tal qual a própria candidatura de Mauro Mendes. Talvez seja o caso dele dizer como fará ao invés de dizer que fará simplesmente. No artigo “Mato Grosso é um País”, o texto alegre e sóbrio nos mostra um Silval apaixonado por Mato Grosso, que fala de suas origens interioranas e causa simpatia no povo. Silval esteve à frente da abertura de vários municípios do nortão e visitou todos os municípios do Estado ao longo de sua carreira política, conhecendo de perto seus problemas e virtudes. No começo perguntava-me se ele seria apenas a sombra continuísta de Blairo Maggi. Não é. O continuísmo administrativo é saudável, mas ele quer avançar para melhor os aspectos sociais do excelente governo de Blairo Maggi. Afinal, com as ótimas condições financeiras e administrativas do Estado, é hora de ir além. Se Wilson teve a chance de ser um bom gestor e um agente histórico transformador, mas falhou fragorosamente, Mauro ainda não disse ao que veio e nem explicou suas propostas dizendo como fará para realizá-las e corre o risco de não colar no eleitorado. *LUIZ FERNANDO CALDART é advogado e Diretor Presidente do Cepromat.

Edição EDIÇÃO 16967




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