Não esporádico, percebemos maldosos comentários sobre etnias e culturas que, tecnicamente analisados, seriam compatíveis com difamação dos cuiabanos. A simplicidade, a ginga no caminhar, o sotaque herdado dos índios e europeus fazem únicos os nossos trejeitos. Aliado à omissão dos conterrâneos, esse ato discriminatório detém potencialidades desastrosas. Assim como qualquer outro povo, somos dignos de respeito e consideração. Desta terra fértil, já brotaram ilustres ícones da história, inclusive mundial. Dom Aquino (1885-1956), um dos nossos maiores, se não o nosso maior literato, per si invoca a merecida reverência de nascer por estas bandas. Chegou a ser ovacionado no Vaticano após ter discursado, assim como na Academia Brasileira de Letras, onde cunhou o primeiro nome mato-grossense. O professor poliglota e excêntrico Ezequiel de Siqueira, o linguista Nilo Póvoas e seu filho não menos brilhante, dr. Lenine, o poeta e insigne advogado Silva Freire, assim como tantos outros personagens que nos enchem de orgulho os olhos e ouvidos, também, com suas retóricas influenciadas e lapidadas desde o autodidatismo até as mais conceituadas Academias. De Cuiabá, já alçou voo um Presidente da República que, é verdade, nunca deixou seu modo arrastado de pronunciar. Era unânime nestas memoráveis celebridades a honra de ser cuiabano. Da simplicidade é que se reconhece o gênio. `A arrogância dos falsos críticos, denota-se apenas a ignorância deselegante. Enquanto continuarmos assistindo passivos a estes deboches de mau gosto, que às vezes se confundem com autêntico crime de racismo, permaneceremos percebidos como subdesenvolvidos. O pior que esse ultraje é frequente aqui mesmo na região! De hospedeiros gentis, encenamos como anfitriões pascácios. É comum o ufanismo equivocado de imigrantes que, ganhando a vida e sendo abraçados pela nossa carismática receptividade, encontram no cuiabano motivos para pejorativos comentários. Viveremos em perfeita harmonia, com a valorização das tradições de cada um. O gaúcho desbravador, o paulista empreendedor, o baiano artístico, o carioca expansivo, todos temos nossas características próprias. Bom é para a comunidade a fraternidade. Cresceremos juntos. Aliás, temos tanta coisa mais importante e imperativa que requer nossa atenção, por que perder tempo com assunto tão soez? Que tal conversarmos sobre saúde, educação, trabalho e cultura? Felizes somos pelo espaço que dispomos e sobeja para todos que vierem imbuídos de sonhos de investimento e progresso. Saibamos que, enquanto desfazemos dos compatriotas, muitos gringos protagonizam a mesma comédia onde o brasileiro matuto e segregado é a piada! Não trocaria Cuiabá nem por Paris, como se o francês soasse melhor no tímpano... Au revoir, dgente boa de tchapa e cruz! *ÉZIO OJEDA é médico e advogado em Cuiabá
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