O governo Lula comemora a lei que fixa em R$ 950,00 o salário básico para professores do ensino fundamental com contrato de 40 horas semanais. Os estados e municípios terão 18 meses, portanto até 2010, para se adequar à lei, ajustando suas finanças para pagar esse piso salarial. Está certo que muitas cidades não pagavam nem metade disso. Mas, será que dá para comemorar a implantação deste piso aos professores. Sinceramente, eu não comemoro. Tudo bem, a lei foi um avanço, ainda mais quando se sabe que neste nosso Brasil a carreira que menos é valorizada é exatamente a dos professores da rede pública de ensino. Porém, bem que poderiam valorizar melhor esta categoria que tanto se sacrifica para ensinar o filho do pobre, o filho do delegado, do juiz, do engenheiro, enfim, a grande maioria dos filhos da população brasileira. Eu acompanho de perto o dia-a-dia desta categoria e posso afirmar de cátedra que o piso que foi sancionado pelo presidente Lula é irrisório. Fica até ridículo todo este estardalhaço que foi feito em torno da implantação do novo salário dos professores. Afinal, é bom lembrar que além das quarenta horas na escola o mestre tem de ir para casa e preparar a aula do dia seguinte, corrigir trabalhos, redações, provas, fazer diário. Se compararmos com o que ganha um deputado, por exemplo, que trabalha, quando trabalha, dois dias na semana, que tem verba de gabinete e inúmeras mordomias, muitos deles com um nível cultural menor que os professores, a situação é ainda mais vexatória, que dá vergonha. Entretanto, fazer o quê? Sou obrigado a dizer que houve um avanço. Obrigado, como já disse antes, se compararmos que muitas cidades não valorizam os professores sequer com a metade deste valor que os nobres deputados estipularam como lei, que acaba de ser sancionada pelo nosso presidente, curiosamente com menos estudo do que a grande maioria dos nossos mestres. Quer dizer, o professor vai ter de continuar se desdobrando em vários, que nem louco, dando aulas na rede estadual, municipal, particular e fazendo outros bicos para sustentar sua família. Vai continuar com a mesma vida de penúria e mostrando o verdadeiro amor à profissão. Sim, pois pelo que se constata com este piso, para se ser professor só pelo amor àquilo que ele faz. Nos países de primeiro mundo eles, professores são valorizados. Já os nossos? Bem a nossa política educacional é ótima para o governo. Não é? JONAS JOZINO é Editor de Esportes do Diário
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