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ARTIGO
Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009, 08h:52

PAULO CÉZAR DE SOUZA

Gestores governamentais

A partir da década de 90 surgem os fundamentos para conceber a carreira de gestores governamentais. Durante toda a década esteve em curso uma das mais amplas reformas administrativas articulada pela União e pelas unidades federativas. A idéia basilar à organização da carreira de gestor foi oportunizar o ingresso no serviço público de um quadro técnico cujas habilidades interagissem com os servidores envolvidos no programa de reforma, e por esta razão, foram estes também, grandes protagonistas para a realização dos concursos feitos pela União e por alguns estados. A sinergia decorrente do trabalho integrador entre os servidores ativos e os gestores que ingressariam levaria à assimilação das novas práticas de gestão advindas das propostas reformistas. Entre as mudanças esperadas para a administração pública brasileira estava a reabilitação do planejamento; a melhoria na qualidade do gasto; a ascendência do equilíbrio fiscal e o reconhecimento da responsabilização por resultados. A decisão em instituir a carreira de gestores estava contida numa estratégia maior que era o redesenho do Estado, viabilidade defendida por importantes lideranças políticas, técnicas e empresariais, e por que não dizer, estimulada por organismos estrangeiros. Em 2000, Mato Grosso editou uma lei, criando o cargo e aprovando a realização de concurso para gestores governamentais. A concorrência foi acirrada com, aproximadamente, 5.000 candidatos. A seleção para as 120 vagas levou o Estado a realizar dois pleitos consecutivos. Mesmo assim, somando os aprovados nos dois concursos, apenas 90 postulantes conseguiram atingir a pontuação mínima. Isto significa que restaram disponíveis, na época, 30 vagas. O concurso de 2009 vem em boa hora. As 50 vagas ofertadas terão dupla finalidade, (1) preencher aquelas remanescentes do último concurso e (2) completar outras abertas devido à aprovação de membros da carreira em outros concursos. Vinculados à Casa Civil, os membros da carreira encontram-se, predominantemente, nas Secretarias de Planejamento, Administração e Fazenda. O ingresso na carreira varia de acordo com a titulação acadêmica e está entre R$ 4.800,00 e R$ 7.900,00. Pode chegar ao máximo em R$ 10.973,00 dependendo do tempo de serviço público prestado ao Estado. Os atuais membros da carreira formam um grupo multidisciplinar e são quase todos pós-graduados em diversas áreas de conhecimento. Uma das propostas é preparar uma recepção temática em gestão pública aos novos colegas. Isto será uma excelente oportunidade para, entre outras coisas, fortalecer o grupo e avaliar as atribuições conferidas à carreira rumo a uma maior profissionalização da administração pública estadual. * PAULO CÉZAR DE SOUZA é gestor governamental e mestre em economia pela UFMT [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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