Os atuais candidatos a prefeito de Cuiabá, após a gestão de Galindo, já estão em plena campanha política. Uns, já adquiriram jornais; outros, tentam uma emissora de rádio ou TV e quatro deles já estão com espaço reservado para suas religiões em organismos de comunicação social, embora todo mundo saiba sobre tal ilegalidade. Doze deles já estão assinando contrato como apresentadores de televisão de programas de sangue, suor, sexo, mundo cão e policiais. No rádio cuiabano, então nem se fala. Há políticos por aqui que já se transformaram em jornalistas, radialistas, escritores, historiadores, cientistas políticos, pastores evangélicos, sendo nove deles oriundos da luta indômita dos gays e adjacências pelo direito humano da igualdade de todos. Seis candidatos a candidatos a prefeitura de Cuiabá pertencem a determinadas ONGs que empatam com as religiões em número de adeptos e/ou componentes que rendem votos sob a égide de bandeiras que prometem apenas descidas em todas as ruas de Cuiabá. Porém, noto um cuidado especial nessas reuniões onde se conscientizam das metodologias que deverão ser aplicadas na próxima campanha que já começou exatamente no dia em que Wilson Santos renunciou ao cargo de prefeito daqui. Aliás, sobre o ex-prefeito há que se destacar que ele apenas aplicou uma estratégia que pode dar certo. Abandonou o barco cuiabano, foi para bem longe daqui, estudando ou não estudando the brazilian problems The brazilianist o que lhe confere certa maturidade, além de provar que trabalha para viver ministrando aulas aos americanos sobre o furrundu cuiabano, um doce de rapadura bom demais, também típico nesta/desta terra. Mal sabe ele que Cuiabá virou o próprio furrundu. É bom ele se preparar para o salto político do futuro, pois tais estudos lhe conferem molas mais fortes e o seu salto pode ultrapassar o alvo fazendo-o bater a cabeça na Lua. Explicando melhor, ele pode até estudar para ser presidente da República e tentar ser vereador daqui. Quanto ao furrundu cuiabano, tudo continua na mesma. Os mesmos buracos, as mesmas placas de trânsito, os mesmos xingamentos, a mesma rodoviária imunda, o mesmo aeroporto que não temos e as mesmas promessas das mentiras de sempre e que as temos em abundância. Vivemos de nossos heróis do passado, mas já existe quem esteja tentando solapar nossos grandes vultos históricos, heróis da resistência cuiabana e mato-grossense com deboches que vão desde a ignorância cartográfica/geográfica até a tentativa, cada vez maior, de desmoralizar o Marechal da Paz, Rondon, desfiando um novelo de contradições ao ponto onde está situado o Centro Geodésico da América do Sul, apesar das confirmações do Exército e as comprovações feitas pelos satélites da NASA quanto às precisões milimétricas e corretas de Rondon. Embora as chuvas favorecem a limpeza urbana, os buracos já foram até batizados e crismados por aqui. Na frente de minha casa há três velhos e conhecidos buracos que eu mesmo os tampei e que certa construtora sempre os abre para a poeira nossa de cada dia intercalar com a lama nossa de cada chuva. Sob a égide do progresso. Os três buracos eternos têm até nomes. Compêndio da Silva, Johann Faber e Esferográfico do Espírito Santo. Há até feiras no meio das ruas mais importantes desta vida cuiabana, justamente no horário de pico de nosso trânsito deplorável, das sextas-feiras gordas de carnaval. Como é o caso da feira livre no meio da rua no Bairro Araés, tecla que vamos bater até o fim do mandato do Galindo. Com o trânsito desviado todo ele da avenida Mato Grosso, justamente por ali onde a feira prova que não temos governo e, sim, caos. Apesar de tanto lugar existente. Nem os blocos, nem os cordões, nem o povo, nem os veículos e nem o progresso e a tranqüilidade tiveram/têm o direito de festejar o carnaval por ali, nesta sexta-feira gorda de carnaval, por causa dessa feira alienígena num bairro residencial em que até os ônibus da avenida Mato Grosso são obrigados a desviar dali, indo até Chapada dos Guimarães (MT) para fazer o contorno até a avenida da Prainha. * PAULO ZAVIASKY é jornalista
[email protected]