ARTIGO
Sexta-feira, 26 de Junho de 2015, 19h:46
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TÂNIA NARA MELO
Falta respeito
Um dos assuntos mais comentados essa semana foi com certeza a trágica morte do cantor Cristino Araújo, expoente da música sertaneja que aos 29 anos, no auge da carreira, teve sua trajetória interrompida deixando milhares de fãs inconsoláveis. O fato gerou uma grande movimentação nas redes sociais, com muitas homenagens, lamentações e, como já é de praxe nas redes sociais, muito mensagens recheadas de preconceito, com insultos aos fãs da música sertaneja. Confesso que o sertanejo não é o meu gênero musical preferido, mas sou bem eclética em relação à música e respeito todos os gêneros. Gosto mesmo é de música boa, que mexe com os nossos sentidos e nos faz sentir bem. Mas respeito ao outro, aquela regra básica de convivência que aprendemos ainda criança, parece estar em falta hoje em dia, principalmente para alguns que atrás da tela de um computador se dão o direito de ditar regras e impor conceitos, como se fossem os donos do mundo. O que temos visto nas redes sociais ultimamente é a disseminação de conceitos, ou melhor pré-conceitos, em relação a escolha das pessoas sobre política, religião, orientação sexual, música, enfim, sobre quase tudo. O respeito à individualidade do outro cada vez mais é desrespeitado. E essa falta de respeito vem gerando intolerância, que algumas vezes resultam em violência. Os casos mais recentes foram registrados no Rio de Janeiro, onde uma menina de 11 anos foi apedrejada na cabeça enquanto caminhava vestida com trajes típicos do candomblé, e dias mais tarde um médium foi assassinado no Centro Espírita Lar Frei Luiz. O meu direito termina onde começa o direito do outro. Isso me foi ensinado desde cedo, algo que nos dias de hoje parece estar em desuso. Cada um tem o direito de fazer suas escolhas e elas devem ser respeitadas. Aquele que critica e ofende o outro por não viver de acordo com os seus preceitos, deve lembrar que precisa praticar o respeito para ser respeitado. Até porque o mundo não gira em torno do seu umbigo. Há quem goste de samba, pagode, outros de rock ou de música sertaneja. Tem quem seja católico, outros evangélicos, também os que seguem o espiritismo, candomblé, e ainda aqueles que são simplesmente ateus. E daí? Cada um tem o direito de seguir sua vida como bem quiser, desde que não interfira no direito do outro. Se essa simples regra fosse respeitada com certeza teríamos um mundo melhor, mais solidário, menos egoísta e intolerante. Está faltando respeito, está faltando mais amor ao próximo. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário