Posso falar de cátedra, pois já estive do lado de dentro da mesa dos poderes. Acostumei-me com a revoada dos pássaros das pérgulas palacianas nos finais de mandatos. É um corre-corre, salve-se quem puder, procura de padrinhos, madrinhas, benzedeiras, pai-de-santo, desembargadores, deputados, prefeitos, parentes do futuro jogando para o escanteio da vida os parentes atuais. É um sofrimento danado para quem é autoridade nos finais de mandato. Nem o cafezinho é mais servido para eles e quando servem, vem sem açúcar ou sem o café. É o grande momento de desforra para os servidores arraia-miúda. Quem viveu das ilusões dos cargos, subiu os degraus da fama sem pensar no momento da descida, deve estar sofrendo prá burro, agora nestes momentos que sempre cai na época do Natal para o desespero da festa de fim de ano e dos mandatos, cargos, cargões e salários generosos. Nada de doutor, no máximo você ou olá pôrra loca Eu vi a lista que tanto me enviam de propósito, dos equilibristas do reino que tanto rufaram o porrete na cacunda de Blairo Maggi e conseguiram a proeza de conquistarem uma rede indígena lá no Paiaguás juntinho a ele. Há vários que sobreviveram a partidos políticos, ideologias, situação e oposição em Mato Grosso que dá gosto observar essa lista interessante. Nomes do governo Dante de Oliveira, fanáticos contra Blairo Maggi, alguns deles sou testemunha, que espalharam tantos boatos maldosos na imprensa bororo até sobre a vida privada do Maggi na certeza da derrota dele. Vários artigos desses malabaristas de cargos, interessantemente catalogados pelo nosso eterno e saudoso companheiro de lutas de verdade por aqui, Gilson de Barros, que foi Auditor do Estado, me outorgam o direito supremo de afirmar que Maggi tem mesmo um coração de ouro, pois burro ele nunca foi. Pois não é que essas mesmas peças raras que após tanto xingarem o governador e a sua família, conseguiram, através do próprio staff do PSDB, um convitezinho amigo para o balançar na rede do oportunismo na própria cozinha do governador, acabam de promover a maior surpresa do mundo que nem Blairo Maggi e nem seu fiel escudeiro sabem disso? E qual é essa surpresa? Respondo. Já estão como baratas tontas, pedindo daqui e dali, rogando praga no próprio chefe governador atual, para mostrar que, mesmo lá dentro, não gostam dele, são soldados sacrificados na suprema tentativa de continuar no próximo governo seja lá qual for , pois sempre fizeram isso na vida. No momento, direcionam bajulações em cima do Silval Barbosa, vice que vai ser governador daqui em abril. Cospem no prato que comeram. Costume antigo desses equilibristas para se manterem nas órbitas dos poderes desde Fernando Corrêa da Costa. No final daquele governo da UDN se filiaram debochadamente no PSD do futuro governador João Ponce de Arruda. Depois, Pedrossian, Fragelli, Garcia, Frederico, Júlio, Bezerra, Jaime, Dante, Maggi e, agora, tentam a operação-esparadrapo: colar no Silval. Alguns outros começaram essa luta pela sobrevivência desde Garcia Neto, Frederico e Júlio. Colam, grudam e metem o sarrafo naqueles que tentam a mesma coisa. Agora é sacanagem o que estão fazendo com o Maggi que o povo daqui adora de verdade e ganha o que quiser por causa de uma coisa que o cuiabano reconhece, aliada à competência demonstrada para a nossa gente, tem muita educação. Maduro para sua juventude ainda, contrasta com passados incertos e não sabidos de uma criançada imatura, aventureira e mal-educada que bagunçou Mato Grosso, agora consertado pelo atual governo. Mas, afinal, o que tais equilibristas e malabaristas de cargos eternos nos governos que entram e saem, estão fazendo? Estão contatando com Carlos Bezerra, familiares do Silval, com o próprio Maggi, pedindo para intercederam por essas formigas tinhanheiras que mordem duro prá burro e são os chamados Olha aí eles de novo e Hay gobierno, tô dentro. * PAULO ZAVIASKY é jornalista
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