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ARTIGO
Sábado, 09 de Abril de 2011, 13h:52

PAULO PANOSSIAN

Equívocos nos 100 dias de Dilma

Não podemos negar que o estilo de governar de Dilma Rousseff, se mostra até aqui, muito mais elegante e respeitoso com os pilares das nossas instituições, do que de Lula, que vulgarmente se alto proclamava como o melhor presidente do País, como se tivesse sido o único desde 1889, data da proclamação da República. Dilma longe da ansiedade dos holofotes do seu antecessor parece estar mais voltada ao trabalho, do que se lambuzar no populismo indigerível da gestão passada. Uma prova desta guinada a partir de sua posse, está no campo diplomático que enterra de vez a alma antiamericana do seu antecessor, que esnobava as determinações da ONU, e se vangloriava como amigo de déspotas como Chaves, Ahmadinejad e do Kadafi, a quem chamou de meu amigo, meu líder, meu irmão... Dilma, corretamente se colocou contra governos que desrespeitam direitos humanos! Como nem tudo são flores, a nova moradora do Planalto, demonstra insegurança principalmente no combate a inflação e ajuste fiscal, e outros eventos que me parecem típicos da dificuldade que terá para se desvencilhar do aparelhamento do lulismo em seu governo. No caso do combate a inflação e do ajuste fiscal, as medidas adotadas até aqui são frágeis e tímidas. E ainda precisou levar incompreensíveis 60 dias para anunciar, já que ela era peça importante do governo anterior, e deveria ter esses números na ponta da língua, já no dia de sua posse... Mas para nossa surpresa, o corte anunciado de R$ 50 bilhões não contempla austeridade, porque em mais de R$ 30 bi destes, suspende investimentos e despesas futuras, e não as correntes, que qualquer cidadão minimamente capaz faz no seu orçamento familiar. E no caso da inflação que está na casa dos perigosos 6%, a presidente concorda até com o BC, para que adote medidas mais suaves, e faça vistas grossas com a subida dos preços! Esta alta que já aflige a sociedade e principalmente as classes mais desfavorecidas. Percebo no ar, um cheiro de levar com a barriga o alto indicie inflacionário, porque em 2012 teremos um ano eleitoral, e um PIB bem menor do que em 2010, poderia, na cabeça destes que não tem compromisso com a Nação, prejudicar seus planos de poder... Tanto que o presidente do BC afirmou que espera somente para 2012 a volta da inflação para centro da meta que é de 4,5%. O que segundo analistas não é provável... Outro equivoco imperdoável de Dilma foi o de premiar com um cargo no BID, a ex-presidente da Caixa Econômica, Maria Fernanda Coelho, a mesma que comprou um banco bichado como o Panamericano. Esta é mais uma prova que a presidente demonstra estar com o mesmo vírus de Lula, que aconchega camaradas que cometem ilícitos, e outros... Perplexidade também causa, ao vermos a Dilma em perfeita sintonia com a esdrúxula pretensão do ex-presidente de substituir o dirigente máximo da Vale, o Roger Agnelli (e conseguiu). E agora sabe Deus, o que ocorrerá com esta empresa que depois de privatizada alcançou o topo da eficiência no setor, trazendo dividendos ao País antes inimagináveis! Ou seja, para o PT as leis de mercado que se lixem... E para finalizar, a liderança de Dilma também foi posta em cheque, porque a própria aliada CUT lança terror com estas pseuda greves sobre as grandes obras do PAC, com direito a destruir aposentos, refeitórios, incendiar ônibus, etc., da mesma forma que esta entidade fazia nos tempos de “Lula sindicalista”, no ABC. Portanto, para os 100 primeiros dias do atual governo estes equívocos são preocupantes. Brincar com a inflação, com o paupérrimo ajuste fiscal, de longe não é sinal de competência... *PAULO PANOSSIAN é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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