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ARTIGO
Sábado, 31 de Julho de 2010, 12h:23

MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA

Entre pérolas e porcos

"Não lançai pérolas aos porcos”... é uma das frases emblemáticas de Jesus Cristo, se dirigindo aos apóstolos e alertando seus seguidores para que não perdessem tempo com pessoas insensíveis. Talvez, porque da parte delas não vem nenhum retorno, ainda que seja na demonstração de um simples gesto de gratidão e afeto. Nos dias de hoje, fácil de ser feito através de um simples telefonema, um e-mail tipo assim: “Obrigado, seu idiota metido a idealista, pelo que você escreveu ou fez por mim...” A carapuça tem donos. Em suma, o que Cristo disse há mais de dois mil anos, em outros termos e num contexto mais atual pode ser traduzido: para que não gastassem “velas com defunto ruim”... E quantas velas, santo Deus, eu, você leitor, não queimamos em vão! Quantas pérolas continuamos lançando a esmo! O simbolismo das pérolas e dos porcos serve de lição prática até os dias de hoje, e quiçá pela eternidade, norteando aos que se atiram, ardorosamente, movidos espontaneamente pelo sentimento de justiça, comprando brigas pesadas e se expondo, na defesa de causas e pessoas que na verdade se comportam suinamente. E nunca fizeram ou fazem por merecer. Não sou chegado à leitura da Bíblia e nem expert na matéria, mas reconheço a profundidade e o acerto de muitos de seus ensinamentos. Também não sou um homem religioso e apegado ferrenhamente a essa ou aquela crença, mas não chego a ser ateu, materialista desses convictos e impenitentes, pois acredito numa inteligência superior (Deus?) que rege a Terra, a vida em suas mais variadas formas, enfim. Indo mais além, o Universo tão complexo e com leis específicas que, no meu modesto entender, é inconcebível supor que funcionam por simples obra do acaso. Como diria Shakespeare – e vou repetir a frase tão batida -, “existe mais mistérios entre a terra e o céu do que imagina nossa vã filosofia”... Voltando à Bíblia, esse livro é recheado de prédicas e alertas feitas através de parábolas, porém de fácil e rápido entendimento. Sem o hermetismo de muitos conceitos que, para serem compreendidos em toda sua extensão, se torna complicado aos leigos e mortais comuns, assim como é o caso deste escriba. Sem nenhuma pretensão de ditar regras a quem que seja sobre tantos temas, pior ainda quando se refere ao mundo da fé. Logo eu, um poço ambulante de dúvidas que sou! Por isso, não me aventuro pelo desconhecido, eu que mal conheço o mundo onde piso, e racionalmente entendo que certos escritos erigidos como sagrados por seus crentes (muitos, é verdade, fanáticos), assim como algumas correntes filosóficas, exigem um doutorado de quem se proponha a decifrá-los ou até porque são mesmos incompreensíveis, à medida que contém absurdos que remetem mais ao delírio de insanos do que propriamente orientação espiritual ou de ordem moral. Não que na Bíblia, ao contrário de determinados outros escritos ditos sagrados, também não contenha lá sua porção de histórias que mais remetem a contos de fada e da carochinha, como é a tese do Velho Testamento sobre a criação do homem a partir da parelha Adão e Eva, como se a reprodução fosse à base da geração espontânea ou construída de um pedaço de osso estéril. Assim, sem mais nem menos, com ela saindo da costela dele e onde o famoso, necessário e salutar “papai com mamãe” é logo visto como pecado merecedor das maiores fogueiras. Quando, nesse ato divino e primordial do surgimento da vida humana, deveria ser dito, como lei primeira da criação: é proibido proibir comer a fruta... Mário Marques de Almeida é diretor do site e jornal Página Única. E-mail: [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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