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ARTIGO
Sexta-feira, 06 de Junho de 2014, 20h:44

FRANCISCO FAIAD

Enfim, chegamos ao centro do mundo

Foram meses, muitas angústias – algumas ainda persistentes – e até feridas bastante doloridas. Afinal, definitivamente, não será como a gente gostaria que fosse: linda, completa, festiva, alegre, para cima, 100%. Há, sim, que se lastimar que o cronograma de obras da Copa do Mundo tenha ficado a desejar, nos impregnando de alguma tristeza. Afinal, como todo o povo trabalhador e ordeiro, queríamos estufar o peito e mostrar ao mundo que a página da modernidade, enfim, está sendo lida em Cuiabá. Mas, seja como for, com muita coisa ainda por fazer, o calendário é exato. Estamos a alguns dias do maior evento esportivo do planeta. Cuiabá, assim, passa a ser, a partir da semana que entra, um dos centros de atenção de todo o mundo. Vai começar o Mundial de Seleções da Fifa. E como tal, os cinco continentes vão estar nos assistindo, vendo e olhando. Vamos estar aos olhos do mundo, mas, principalmente de russos, chilenos, sul-coreanos, australianos, colombianos, nigerianos e japoneses. Em cada canto da Terra, quando a bola rolar na Arena Pantanal, nossa cidade e, consequentemente, nosso Estado, será tomado por uma proporção mundial inimaginável de atenções. Algo jamais visto ou sentido. Algo que somente o sonho e os esforços para fazer de Cuiabá uma das sedes do Mundial de Seleções poderia proporcionar. Mas é aqui que temos a grande oportunidade de fazer a diferença. Se as trincheiras da Avenida Miguel Sutil não estão prontas e muitas outras obras importantes para a cidade, como o próprio Aeroporto Marechal Rondon, ou mesmo as vias de acesso aos centros de visitação e turismo, ainda seguem, o povo cuiabano, por sua própria característica, cumprirá com o seu papel histórico, pelo seu modo de ser e de viver. Esse jeito que atraiu a mim, a minha família e aos milhares e milhares de brasileiros de todas as partes do Brasil, que nos faz amar esta terra como se fôssemos daqui brotados. Sim, o cuiabano é carismático, é amável, é encantador. Como escreveu certa vez o jornalista Paulo Renato Coelho Netto, o cuiabano “é a personificação da alegria”; um povo que “sabe que a felicidade é o maior remédio contra todas as doenças”. Paulo Renato foi mais além: ilustrou que o cuiabano “não precisa de muitos motivos para fazer uma peixada” e levar o convidado para dentro da casa dele. “Já te recebe pela cozinha. Dali a pouco aparece um para tocar violão e outro para fazer a vaquinha para comprar cerveja e tudo bem. Está feita a festa”. Pronto! É esse espírito que deve prevalecer a partir de agora. Nós, cuiabanos, estamos todos intimados a mostrar ao mundo que há mais do que obras por fazer por aqui. Há mais que estradas, viadutos e trincheiras. Aqui existe vida abundante e felicidade extrema. Esqueçamos o COT do Pari e da UFMT que não estão 100%; esqueçamos a duplicação da estrada para Santo Antônio de Leverger ou mesmo a de Chapada dos Guimarães. Deixemos de lado o fato de que o VLT ‘pelou’ o canteiro central da Avenida Rubens de Mendonça e os trilhos não chegaram ao ponto em que deveria. Sim, porque esses grandes empreendimentos vão estar logo à disposição de todos nós, cuiabanos. A arrancada final vai acontecer. Agora, a missão é outra. O povo cuiabano tem a brava obrigação de jogar para longe a tristeza e o orgulho ferido e fazer cumprir com sua predestinação, que é a de bem receber aqueles que aqui chegarão para curtas passagens com suas seleções. E eu, como pessoa que conhece bem este Brasil de tantas culturas e tradições, posso garantir: diferente de todos os outros povos, nós aqui somos nativos, especialistas, na arte de dizer “sejam bem-vindos”. Que aqueles que aqui passarem possam testemunhar, de fato, que estiveram visitando uma cidade, infelizmente, de obras inacabadas, mas, em compensação, aquele tão decantado ‘campo de guerra’ que a mídia internacional fez questão de propagar, com letras garrafais, em nada se assemelha com a definição porque encontraram, por outro lado, uma cidade de povo cheio de calor humano, de festa, transbordando de alegria, rica em bem-estar, a alma morena, que sorri o tempo todo. A todos, minha saudação: “Sejam bem-vindos ao centro do mundo, da América, onde vive o melhor povo do mundo, o cuiabano”! * FRANCISCO FAIAD foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil "Algo que somente o sonho e os esforços para fazer de Cuiabá uma das sedes do Mundial de Seleções poderia proporcionar"

Edição EDIÇÃO 16964




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