Os que não botam fé pra valer na pujança democrática brasileira e que procuram, continuamente, azedar com atos e palpites histéricos a convivência entre contrários no campo das idéias e dos posicionamentos políticos, não estão se dando conta dos avanços extraordinários que se operam no Brasil, a cada momento, no tocante ao aprimoramento institucional. O país vai abrindo, com firmeza, ininterruptamente, como poderoso navio quebra-gelo desbravando regiões glaciais, os caminhos que conduzem à consolidação plena do sistema de procedimentos e regras políticos pelos quais a sociedade de há muito optou. Os setores mais lúcidos da comunidade se regozijam com as conquistas institucionais. Mas muita gente boa, bem intencionada, não percebe, ainda, como se estivesse a compartilhar das teses derrotistas dos irremovíveis céticos de plantão, que essa assimilação de normas democráticas e republicanas pela nossa realidade política, feita de forma remansosa, sem turbulências, confere-nos hoje lugar de invejável proeminência no plano internacional. Nem todos os países, inclua-se na relação os mais desenvolvidos, mostram-se capacitados a articular um processo eleitoral tão transparente, com tamanha eficiência, com cronograma executado impecavelmente e apurações velozes e inquestionáveis, como esse que a nação brasileira acaba de viver em atmosfera de justificável euforia. Nas manchetes do mundo inteiro as eleições brasileiras foram saudadas como um momento de grandeza cívica inigualável. Prova mais que provada do amadurecimento político de nossa gente. Da força imbatível das instituições democráticas que, mercê de Deus, nos regem. Em tempos deixados pra traz o andar das coisas não era bem esse. As eleições costumavam ser marcadas por tremores sísmicos variáveis. E nem é o caso de relembrar abalos de maiores proporções que implicaram em graves perturbações à ordem constituída. A tranquilidade comunitária ficava afetada. A economia punha-se receosa face a suposições acerca de eventuais alterações futuras de rumo. As taxas de inflação e o câmbio exprimiam expectativas nervosas. Mas isso virou passado. O cenário de agora é outro, quão diferente! Os resultados das urnas são acolhidos, por todos, vencedores e perdedores, como uma projeção legítima do verdadeiro sentimento das ruas. Pela voz dos eleitores a manifestação que chega, peremptória e definitiva, é a da própria consciência cívica nacional. Não há contestá-la. Nem questioná-la quanto às opções tomadas pela soberana vontade popular. O jogo democrático possui, a exemplo das doutrinas religiosas, seus cânones sagrados. Mesmo quando as escolhas feitas pareçam insatisfatórias a nível de avaliações pessoais, não se pode perder de vista que um processo político, como qualquer outra ação humana, reflete o jeito de ser humano, com seus inerentes méritos e imperfeições. A democracia absorve os traços paradoxais do comportamento humano. Não deixa de ser boa por causa disso. Até mesmo porque relembrando Nehru e Churchill, que disseram coisas muitíssimo parecidas em momentos diferentes , em que pesem os notórios defeitos da sistemática democrática, ela sobrepuja iniludivelmente, em termos de apreço à dignidade humana e de respeito aos direitos fundamentais, todos os demais sistemas até aqui inventados com o propósito de conduzir os destinos político-administrativos da espécie. Em suma, as eleições recentes constituíram marco refulgente na história republicana brasileira. Estamparam, novamente, o grau elevado de sensibilidade política e o amadurecimento democrático alcançado por este nosso Brasil brasileiro. Um país na rota indesviável do progresso. Hoje, mais do que nunca, face às conquistas sociais e econômicas recentes, preparadíssimo para a invasão do futuro. * CESAR VANUCCI é jornalista email -
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